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Boas Vindas a esta comunidade de Culturas e Afetos Lusofonos que já abraça 76 países

MÚSICA DE FUNDO E AUDIÇÃO DE VÍDEOS E AUDIOS PUBLICADOS

NÓS TEMOS TODO O EMPENHO EM MANTER SEMPRE MÚSICA DE FUNDO MUITO SELECIONADA, SUAVE, AGRADÁVEL, MELODIOSA, QUE OUVIDA DIRETAMENTE DO SEU COMPUTADOR QUANDO ABRE UMA POSTAGEM OU OUVIDA ATRAVÉS DE ALTI-FALANTES OU AUSCULTADORES, LHE PROPORCIONA UMA EXPERIÊNCIA MUITO AGRADÁVEL E RELAXANTE QUANDO FAZ A LEITURA DAS NOSSAS PUBLICAÇÕES.

TODAVIA, SEMPRE QUE NAS NOSSAS POSTAGENS ESTIVEREM INCLUÍDOS AUDIOS E VÍDEOS FALADOS E/OU MUSICADOS, RECOMENDAMOS QUE DESLIGUE A MÚSICA AMBIENTE CLICANDO EM CIMA DO BOTÃO DE PARAGEM DA JANELA "MÚSICA - ESPÍRITO DA ARTE", QUE SE ENCONTRA DO LADO DIREITO, LOGO POR BAIXO DA PRIMEIRA CAIXA COM O MAPA DOS PAISES DOS NOSSOS LEITORES AO REDOR DO MUNDO.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

2º. dia do I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa - Natal-RN, Brasil

Do nosso Diretor-Editor, correspondente em Natal, o escritor Rubens Barros de Azevedo, continuamos a receber notícias da continuação dos trabalhos do I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, a decorrer naquela cidade, pelo 2º dia, e que continua a registar um êxito assinalável, fazendo da bela cidade, capital do Estado do Rio Grande do Norte - Nordeste Brasileiro, a Capital Cultural da Literatura de Língua Portuguesa e um de exaltação dos escritores e suas obras dos oito países da lusofonia: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Timor.













Fotos de Carlos M. Santos


Segundo dia (29.04.2010) do EELP abordou o cosmopolitismo e as expressões populares   

O Escritor João Ubaldo Ribeiro foi o conferencista do segundo dia do EELP, quinta-feira.
Após a discussão acerca da literatura lusófona como elo entre continentes e culturas e os desdobramentos e consequências do novo acordo ortográfico, travadas ontem no Teatro Alberto Maranhão, o 1º Encontro dos Escritores de Língua Portuguesa de Natal (EELP) touxe à tona na tarde da quinta-feira (29) a temática do cosmopolitismo e das expressões populares sob a ótica dos novos tempos de globalização.  

No segundo dia o evento começou às 15h com a palavra do multifacetado escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. A mesa de debates moderada pelo professor da UnP e mestre em literatura comparada, Laurence Bittencourt, contou ainda com a escritora natural de São Tomé e Príncipe, Inocência Mata e os potiguares Tarcísio Gurgel e Lívio Oliveira. A noite foi encerrada com apresentação da compositora e intérprete Valéria Oliveira e o show “No Ar”.















Escritores homenageados no EELP

A Prefeitura do Natal por meio da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) homenageou quatro escritores durante o I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa de Natal (EELP) que acontece no Teatro Alberto Maranhão. Os homenageados foram Luís da Câmara Cascudo, Luís Romano, Clevane Pessoa e Pedro Bandeira.

















As placas de homenagem foram entregues aos familiares de Câmara Cascudo e Luís Romano e pessoalmente a Clevane Pessoa e Pedro Bandeira.





















Luís da Câmara Cascudo - Ícone da cultura potiguar e um dos maiores intelectuais brasileiros, nasceu em Natal em dezembro de 1898 e morreu em 1986. É um dos mais importantes pesquisadores das raízes étnicas do Brasil e autor do Dicionário do Folclore Brasileiro, publicado em 1954 - a primeira reunião sistemática e crítica do acervo folclórico brasileiro. Começa a trabalhar no jornal do pai, A Imprensa, em Natal. Em 1928 forma-se pela Faculdade de Direito do Recife e, no mesmo ano, conclui o curso de etnografia na Faculdade de Filosofia do Rio Grande do Norte. Dedica-se a escrever a história da cidade de Natal e a estudos nas áreas de folclore, etnografia, crítica literária e história. Realizou viagens e pesquisas em países africanos para compor seus estudos a respeito das raízes da historiografia brasileira. Ainda hoje é fonte de pesquisa para estudiosos do folclore espalhados pelo mundo.

Luís Romano de Madeira Melo é escritor cabo-verdiano radicado no Brasil desde os anos sessenta, quando chegou ao Brasil exilado por combater a independência de seu país. O escritor faleceu no último mês de janeiro aqui em Natal, aos 87 anos. Na capital potiguar, manteve contato com Luís da Câmara Cascudo e trocou conhecimentos com o folclorista a respeito das tradições de Cabo Verde. O autor do romance novelístico “Famintos. Romance de um povo” – seu livro mais conhecido – deixou uma vasta obra literária. Foi poeta, novelista e folclorista com trabalhos escritos em língua portuguesa e em crioulo cabo-verdiano, idioma que preferia designar por “língua cabo-verdiana”.















A escritora Clevane Pessoa de Araújo Lopes nasceu em 1947. É potiguar de São José de Mipibu e mora em Minas Gerais desde a infância. Escreveu seu primeiro poema aos nove anos. Esta poeta nordestina, Honoris Causa pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa, se transformaria mais tarde na embaixadora universal da paz.
Sempre ligada à causa da mulher e das minorias, participou de inúmeras iniciativas em prol das discussões políticas e educacionais voltadas ao assunto em diversos fóruns promovidos pelo mundo. Clevane foi também redatora, editora e colunista em diversos veículos da mídia impressa. Mantém hoje doze blogs de divulgação cultural pela Internet. Entre seus nove livros publicados, o último, O Sono das Fadas, foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2009.

















Pedro Bandeira Pereira de Caldas, nasceu a 1º de maio de 1938, no Sítio Riacho da Boa Vista, no município paraibano de São José de Piranhas. Aos 6 anos de idade já fazia versos, influenciado pelo avô, o famoso cantador nordestino Manuel Galdino Bandeira. Aos 19 tornou-se cantador profissional, apreciado e aplaudido por quantos o ouvissem, uma vez que sempre dominou os improvisos, nas várias modalidades da poesia popular: mourão, martelo agalopado, galope alagoano, galope à beira-mar, quadrão, gemedeira ou o que a poesia popular mandar. Pedro Bandeira, além de ser Poeta e Repentista, é licenciado em Letras, bacharel em Direito, e fez parte do Poder Legislativo, como Vereador da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, no Ceará

Lei de incentivo à leitura foi sancionada durante EELP

Frankie Marcone














A Prefeita de Natal, Micarla de Sousa, assina nova legislação.
O segundo dia do I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa (EELP) teve como destaques, na tarde da quinta-feira (29), a sanção da lei que dispõe sobre a criação da política municipal de promoção da leitura literária nas escolas municipais, além da palestra “Cosmopolitismo, expressões populares e globalização”, com o escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), João Ubaldo Ribeiro.
A nova lei incentiva os estudantes de Natal a criarem o hábito da leitura. “E dessa forma conquistarem seus direitos como cidadãos”, ressaltou a prefeita Micarla de Sousa. O vereador Ney Lopes Júnior, autor da legislação, explicou que a norma também determina a criação de bibliotecas ou salas de leitura, de acordo com a quantidade de alunos por escolas. “E também cria o fundo de incentivo à leitura literária”, disse o vereador.
A legislação estimula o poder público a assegurar a formação do leitor em todas as escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental do ensino público de Natal, fazendo com que crianças e jovens desenvolvam o prazer de ler textos literários, favorecendo o acesso ao conhecimento.

João Ubaldo














Em sua palestra o escritor João Ubaldo Ribeiro fez uma abordagem com destaque para defesa da língua portuguesa própria de cada país, destacando os diferentes aspectos da “língua portuguesa brasileira”, “moçambicana”, “angolana” e de todos os demais países que têm o português como “língua mãe”.

“O que quero dizer com isso é que cada povo tem uma identidade que lhe é peculiar, principalmente através da língua, ou seja, mesmo os países considerados de língua portuguesa têm uma característica específica no seu universo linguístico. Por isso, devemos amar a nossa língua, que é nossa maior expressão, a despeito do que nos quer incutir o colonialismo, principalmente americano, com seus estrangeirismos embutidos através do cinema, da informática e de tantas outras vertentes”, destacou João Ubaldo Ribeiro.

O encontro continua nesta sexta-feira (30), com o debate “Os desafios das novas tecnologias na literatura”, com o escritor angolano José Eduardo Agualusa.


Fonte: Portal da Prefeitura de Natal















Escritores Sónia Campos,
Jania Souza (SPVA-RN, MI. PdM),
Zelma Furtado Presidente da A.F.L./RN,
Eduardo Gosson, Presidente da UBE-RN
Lúcia Helena (AFL-RN, IHG-RN,UBE-RN, MI.PdM))














Escritor Ruben Barros de Azevedo (SBED, C.& A.L.)
Poeta e Artista plástico Pedro Grilo (SPVA, MI.PdM)
Poeta Silvino Potêncio 

















Escritora-poetisa Lúcia Helena Pereira
Atôr-autor-coreógrafo Dimas Carlos

















Escritor, esaísta, Professor Catedrático de Coimbra
(Literatura portuguesa) Dr. Carlos Reis e 
sua linda esposa Valéria Cavalheiro

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Abertura de I Encontro de Escritores integra países de língua portuguesa


Do nosso Diretor-Editor, correspondente em Natal do C.& A.L., o escritor Dr. Rubens Barros de Azevedo, transcrevemos a matéria que abaixo reproduzimos sobre a abertura do I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, a decorrer na cidade de Natal-RN-Brasil, encontro em que o nosso amigo e representante participa.


Com o Teatro Alberto Maranhão lotado, foi aberto oficialmente na tarde desta quarta-feira (28), o I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa (EELP), que prossegue até a próxima sexta-feira (30), com a participação de escritores do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique, São Tomé e Timor Leste, todos países que têm o português como língua oficial. 


P

















Prefeita de Natal Micarla de Sousa e Dr. Miguel
Anacoreta  Correia, Presidente da UCLA-União 
das Cidades Capitais de Língua Portuguesa

No início da solenidade de abertura e para um teatro lotado, o presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), Rodrigues Neto ressaltou a importância do encontro para estreitar conhecimentos dos escritores convidados e as tradições e costumes de seus países. “Aqui, eles discorrerão sobre temáticas de interesse comum com plena liberdade. E nestes três dias estaremos irmanados pela literatura. Natal recebe a todos de braços abertos”, finalizou. O secretário geral da União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa (UCCLA), Miguel Anacoreta, enalteceu a organização do evento em tão pouco tempo e a proposta oportuna de análise das problemáticas inerentes à língua portuguesa. “É um evento charmoso. Citaria os três conferencistas: Carlos Reis, João Ubaldo e  José Eduardo Agualusa– que só pela presença deles eu já teria vindo – ”, disse. Anacoreta comentou a relevância do evento para uma Natal geograficamente aberta ao Atlântico e em processo de construção de um mega aeroporto que a tornará uma região interligada com o mundo.















O Professor Catedrático de Coimbra, escritor ensaísta, Dr. Carlos Reis (Portugal), sua esposa Valéria Cavalheiro e escritora Ana Maria Cascudo
de Natal

Na conferência de abertura, o ensaísta e Professor Catedrático de Literatura portuguesa, da Faculdade de Letras  da Universidade de Coimbra e Reitor da Universidade Aberta de Lisboa, Carlos Reis, abordou o tema “Literatura Lusófona: elo entre continente e culturas”, tendo entre os debatedores o presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), Diógenes de Cunha Lima; o escritor do Timor Leste, Luis Cardoso Takas; além de Márcio de Lima Dantas, professor de Letras da UFRN, e Ana Maria Cascudo, da Academia Feminina de Letras.













 


Escritores Ormuz Simoneti, Eduardo Gosson e  
escscritora - poetisa, Lúcia Helena Pereira 
da Academia Feminina de Letras do RN




















Na solenidade de abertura, a prefeita do Natal, Micarla de Sousa, ressaltou a importância da integração dos povos irmãos. “Temos uma origem comum através da língua, o que nos aproxima em unidade e irmandade. E nada melhor do que um encontro como este, quando se discute o papel da língua mãe portuguesa, para que estes países estreitem mais ainda relações em comum”, destacou a prefeita Micarla de Sousa. A chefe do executivo municipal natalense disse ainda que este é o momento de celebrar Natal como a capital mundial da língua portuguesa.
A prefeita lembrou que o EELP é fruto de todo um trabalho feito em várias etapas e que já gerou frutos para a cidade do Natal. “Este momento atual começou no ano passado, quando a capital natalense se tornou a 29º cidade integrante da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCLA)”, informou a prefeita Micarla de Sousa.

A partir de então vários outros eventos se sucederam, como a realização das semanas de Natal em Lisboa e de Lisboa em Natal, a instituição destas duas capitais como cidades irmãs, até chegar à realização do EELP, ampliando ainda mais o desenvolvimento da integração dos países de língua portuguesa, desta vez através da literatura.



O escritor e poeta Diógenes Cunha Lima, Presidente da Academia NR de Letras, Carlos Marques da Lisnatal

A prefeita Micarla de Sousa afirmou que os frutos deste trabalho já podem ser vistos. “Depois da realização das duas semanas em Lisboa e Natal, registramos, depois de acordos feitos com a TAP Linhas Aéreas, a principal companhia área de Portugal, o aumento da vinda de turistas portugueses para o município natalense”, informou a chefe da administração natalense.  O secretário geral da UCCLA, Miguel Anacoreta Correia, disse ainda, na solenidade de abertura, que foi uma ousadia positiva Natal ter a idéia de realizar este encontro, para integrar os países através da língua mãe, o português. “O encontro também é um momento de desenvolver o turismo desta bela cidade que é Natal”, destacou Anacoreta. Já o presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), Rodrigues Neto, disse que através do EELP os escritores portugueses levarão a cultura de seus países para o mundo.


Escritoras-poetisas de Natal: Auzhé Freitas e Vivi Soares


Participam do encontro os escritores Ndalu Almeida Ondjaki (Angola), Helder Vaz, Filomena Embalo e Filinto Barros (Guiné-Bissau), Daniel Eurícles Rodrigues Spínola, Américo Silva e José Luiz Tavares (Cabo Verde), Antônio Carlos Cortez (Portugal), Suleimane Cassamo (Moçambique), Inocência Mata (São Tomé) e Luis Cardoso Takas (Timor Leste). O I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa tem como destaques de sua programação, e como já se referiu, a participação do escritor ensaísta de Portugal Professor  Dr. Carlos Reis, que fez a conferência de abertura, o escritor Brasileiro João Ubaldo Ribeiro, que fará palestra nesta quinta-feira (29), às 15 horas, e o escritor angolano José Eduardo Agualusa (cuja palestra será na próxima sexta-feira, às 15 horas).


A escritora e poetisa Zelma Furtado, Presidente da Academia Feminina de Letras do NR e do Memorial da Mulher 

Dentre as equipes de  televisão que vêm cobrindo o evento está uma equipe do programa Domingo Legal, do SBT Nacional, que está no Rio Grande do Norte filmando as praias potiguares, com David Brasil e a ex-BBB Mayara Cardin que aproveitou para fazer uma matéria especial do evento para o SBT Notícias.


Agência Lusa de Notícias entrevista prefeita de Natal
















A prefeita Micarla de Sousa concedeu uma entrevista a respeito do I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa de Natal (EELP) à jornalista Ana Sousa Dias, editora de Cultura da Agência Lusa de Notícias, no Teatro Alberto Maranhão, logo após a abertura do encontro, na tarde desta quarta-feira (28).  A chefe do Executivo Municipal falou à repórter sobre a importância do evento para a integração dos países de língua portuguesa e também destacou a grande honra de Natal em receber um encontro desse porte. “Estamos muito felizes por sediarmos um encontro de escritores como esse, que une as culturas de nossos países irmãos”, enfatizou Micarla de Sousa. O EELP vem conquistando espaço na mídia internacional, através de reportagens realizadas por jornalistas vindos dos diversos países participantes do encontro e tem contribuído para divulgar Natal como novo polo turístico e cultural.

Fonte: Portal da Prefeitura de Natal

domingo, 25 de abril de 2010

Poema PESSOAS SEM ABRIL Por Carlos Morais dos Santos


25 de Abril de 1974 - Revolução dos Cravos
Ligue o som. Clique para ver e ouvir o vídeo  























PESSOAS SEM ABRIL

Já a minha débil pessoa declinando vai
Mas com Pessoa hei-de permanecer
Até ao último sopro, meu derradeiro Ai
Respirarei Pessoa até me desvanecer

Ele me eleva como pessoa, é meu alimento
Dele, como e bebo palavras, essência do SER
Com ele aprendi a sublimar o sofrimento
Que a mediocridade arrogante pode fazer

De meus devaneios, sonhos e vãs esperanças
Do meu acreditar nos homens e sua redenção
Ficaram das decepções amargas lembranças
Por que faliu o humanismo e o triunfo da razão

E se mais Pessoas houvera nele em Pessoa
Para falar de coisas belas e de justos ideais
Mesmo agora que seu génio e estro mais ecoa
Há mais pessoas a se nutrirem de pecados venais

A minha pessoa não se corrompe de indiferença
Enquanto me alimento de Pessoa e bebo da poesia
de Torga, de Natália, de Sofia, e sinto a presença
De Camões, de Régio e de Almada, terei a energia

Se minha pessoa declina, se desvanece e sofre à toa
Porque se esgota a minha esperança, mas não o ideal
De vir a ser verdade a Pátria de Camões e de Pessoa
E de finalmente ser cumprido esse desejado Portugal

Oh meus 38 anos de ditadura mas de viva esperança
Pesam-me agora 36 de medíocre e injusta democracia
Que o adágio que diz que quem espera sempre alcança
Morre na garganta do povo pobre que não viu o Novo Dia

Oh, sub-alimentados do espírito clamava Natália, infeliz
A poesia é para se comer, regada a bom vinho cultural
Pergunto ao Vento que passa, notícias do meu país,
Canta Alegre. Não se cumpriu Abril nem ainda Portugal

Mas onde está essa pátria amada feita de Fraternidade
Onde a liberdade e a democracia seja mais que formal
Onde o pão da boca e do espírito alimente com equidade
E não empanturre de indigestão os vampiros de Portugal

Oh sedentos de poder, sem SER, gananciosos de capital
Ouçam os poetas e a maioria silenciosa que sofre carências
Oh gananciosos corruptos que desvirtuaram o Abril Ideal
Bebam mais de Pessoa e de outros. Políticos de indecências

Oh pessoazinhas arrogantes, da baixa política trapaceira
Oh pessoas pequeninas, medíocres, egoístas, sem ideal
Oh profissionais dos partidos de estar na vida matreira
Oh estadistas que só trabalham pró vosso poder pessoal

Ocupem-se a cumprir Portugal como reclamava Pessoa
Portugal não é pobrezinho, vocês é que são pequenotes
Dos Grandes é que reza a história e de vocês de alma vazia
ficará o clamor do povo, a voz da pátria magoada que ecoa
Portugal seria bem rico se governassem sem tantos desnortes

Acreditem, senhores, nos poetas patriotas e nas lições de poesia
Pois vossos erros, desgovernos, ganâncias e egoísmos fortes
Serão as pequenezas e vilezas que lembraremos sem nostalgia.
O 25 d`Abril fez-se não para vós mas para o povo de más sortes  
A quem ainda não chegaram os cravos de Abril, a flor da alegria
Poema 
Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa)M.I.Poetas Del Mundo
Fotos e vídeo (Google e YouTube)
 /…
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa, poema O Infante,
Do livro Mensagem

POEMA DE MANUEL ALEGRE
Mas grande é a vossa glória ó meus amigos
Grande é a glória de quem ousa
Tocar nas vacas sagradas.
Poderão levantar-se os ventos do Noto
Poderão levar-vos as ondas tresmalhadas
Mas grande é a vossa glória ó meus amigos
Grande é a glória de quem ousa
As coisas nunca ousadas.
Poderão levantar-se as fúrias do mar
Podereis perecer.
Mas grande é a glória de quem ousa
Desobedecer
Manuel Alegre in “Um Barco para Ítaca”

Chico Buarque - Tanto Mar


                        









Poema GAIVOTA DE ABRIL por Carlos Morais dos Santos

A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS



Revolução dos Cravos é o nome dado à revolução que derrubou, sem derramamento de sangue e sem grande resistência das forças leais ao governo, o regime ditatorial herdado de Oliveira Salazar e aos acontecimentos históricos, políticos e sociais que se lhe seguiram, até à aprovação da, Constituição Portuguesa em Abril de 1976.
O Cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de 25 de Abril de 1974. Logo ao amanhecer o povo começou a juntar-se nas ruas, juntamente com os soldados revoltosos, liderados pelos jovens capitães. Entretanto, uma florista, que levava cravos para um hotel, terá dado um cravo a um soldado, que o colocou no cano da espingarda. Outros o imitaram, enfiando cravos vermelhos nos canos das suas armas.
É consensual ter trazido essa Revolução do “25 de Abril”, conduzida por esses jovens ficiais, a Liberdade ao povo português, oprimido durante décadas. Por isso, se denomina “Dia da Liberdade” o feriado  nacional instituído em Portugal para comemorar todos os anos a revolução iniciada no dia 25 de Abril de 1974.

Quase todos reconhecem que, de algumas formas, “o 25 de Abril” representou um grande salto no desenvolvimento politico-social e na modernização do país. Mas as pessoas mais idealistas, à esquerda do espectro político, tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu,

Não obstante Portugal ser hoje um país bastante moderno e com infra-estruras e  áreas de  actividade muito avançadas (estradas, saúde, educação, comunicações, investigação científica e tecnológica,  internacionalização da economia), mas tendo em conta que ainda subsiste um grande desnível entre os indicadores económicos e sociais de Portugal e os dos países mais desenvolvidos da Comunidade Europeia, Portugal continua, como antes, nos tempos da ditadura, no fim da escala europeia.

O facto de haver ainda cerca de 20% da população em situação de pobreza e, agora, em consequência da crise mundial, mais de 10% de desempregados, com baixos apoios da Segurança Social, serve de base aos que muito esperavam da reconquista da democracia pela Revolução de Abril de 1974 e da posterior integração de Portugal na Comunidade Europeia, para reclamarem que o espírito e os ideais de Abril -"Cravos da Esperança" - não chegou com equidade a todos os portugueses, em especial aos das camadas pobres da população e aos trabalhadores que ainda auferem salários, em geral, muito abaixo das médias europeias, para funções correspondentes, enquanto gestores de topo de grandes empresas e instituições públicas ou participadas pelo estado, colocados aí como comissários políticos dos partidos que dominam o poder, e em muitos casos sem curriculos profissionais justificativos, auferem escandalosas remunerações de milhões de Euros anuais, muito acima das médias internacionais.

Os poetas, os músicos, os artistas plásticos, os escritores, muitos intelectuais, cientistas,  professores, sindicalistas e sindicatos e o povo trabalhador, têm sido aqueles que, usando as suas artes e os seus meios, têm constituído o clamor de descontentamento que reclama mais justiça social, melhor e mais justa distribuição de riqueza, denunciando as indiferenças e incompetências, os descasos, a ganância de privilegiados e a corrupção, em grande parte, responsáveis pelos gritantes desníveis sociais, que ainda subsistem num país com  grande percentagem de salários mínimos que são cerca de metade da média dos países da Comunidade Europeia, de onde Portugal tem recebido volumosos recursos financeiros para promover a coesão social e se nivelar pela média Europeia.

Por isso eu clamo, grito, lamento, luto e reclamo em meus poemas, textos, palestras e intervenções cívicas, para ter de volta os “Cravos da Esperança da Revolução de Abril”, que resgatem os meus concidadãos esquecidos da justiça social, para que, um dia, o meu “Sossego Intranquilo” cante poemas de exaltação plena de Portugal, e as gaivotas do meu Tejo, sejam as boas mensageiras dos Cravos Resgatados para enfeitarem um Abril Renovado.
    

GAIVOTA DE ABRIL
À Luz do sol da manhã,
Ave do Tejo me saudaste
Em sois de fogo vermelho
pássaro aberto, tu vibraste

Num dia de sol amarelo,
Gaivota livre, tu sonhaste

Prisioneira d`armadilhas, sofrida,
De asas quebradas, tu choraste

Em voos de esperança perdida
Fénix branco, de novo voaste
E num olímpico voo de coragem,
Corpo arfando, os mares cruzaste

E no espelho do Tejo a tua imagem  
em alvorada de Abril, reencontraste
um cravo vermelho na tua plumagem,
E em tarde de novo sol, te enfeitaste !

Asas abertas, rasgando o norte,
Foi tua viagem um voo brilhante !
Meu pássaro belo, generoso e forte,
Foste uma gaivota de voo triunfante !

Oh Gaivota do Tejo, alada e branca Liberdade
que visitas minhas janelas à beira do rio amante
Ouço teus ais gritando com o Tejo a triste saudade
      Do Abril dos Cravos naufragados num mar distante

 















UMA GAIVOTA, VOAVA, VOAVA…









Texto, Poema e Fotos
Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) M.I.Poetas Del Mundo