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Boas Vindas a esta comunidade de Culturas e Afetos Lusofonos que já abraça 76 países

MÚSICA DE FUNDO E AUDIÇÃO DE VÍDEOS E AUDIOS PUBLICADOS

NÓS TEMOS TODO O EMPENHO EM MANTER SEMPRE MÚSICA DE FUNDO MUITO SELECIONADA, SUAVE, AGRADÁVEL, MELODIOSA, QUE OUVIDA DIRETAMENTE DO SEU COMPUTADOR QUANDO ABRE UMA POSTAGEM OU OUVIDA ATRAVÉS DE ALTI-FALANTES OU AUSCULTADORES, LHE PROPORCIONA UMA EXPERIÊNCIA MUITO AGRADÁVEL E RELAXANTE QUANDO FAZ A LEITURA DAS NOSSAS PUBLICAÇÕES.

TODAVIA, SEMPRE QUE NAS NOSSAS POSTAGENS ESTIVEREM INCLUÍDOS AUDIOS E VÍDEOS FALADOS E/OU MUSICADOS, RECOMENDAMOS QUE DESLIGUE A MÚSICA AMBIENTE CLICANDO EM CIMA DO BOTÃO DE PARAGEM DA JANELA "MÚSICA - ESPÍRITO DA ARTE", QUE SE ENCONTRA DO LADO DIREITO, LOGO POR BAIXO DA PRIMEIRA CAIXA COM O MAPA DOS PAISES DOS NOSSOS LEITORES AO REDOR DO MUNDO.

sábado, 14 de agosto de 2010

Morreu o escritor português-angolano Ruy Duarte de Carvalho - Tributo de Homenagem


 TRIBUTO DE HOMENEM

Prestamos aqui homenagem ao escritor, antropólogo e cineasta Ruy Duarte de Carvalho que morreu, quinta-feira (12), em Swakopmund, na Namíbia, aos 69 anos.

Ruy Duarte Carvalho nasceu em Santarém, Portugal, em 1941, e naturalizou-se angolano em 1975. Antropólogo de formação, doutorou-se pela École de Hautes Études en Sciences Sociales de Paris com uma tese dedicada aos pescadores da costa de Luanda, com o título "Ana a Manda" (1989).

Depois de ter lançado a sua primeira obra literária em 1972, publicou mais de 15 títulos, nas áreas da poesia, ficção, e ensaio. Exerceu a actividade de professor em várias universidades de Luanda e foi professor convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil).

Das suas obras constam Vou lá visitar pastores (1999), sobre os Kuvale, sociedade pastoril do sudoeste de Angola; Chão de Oferta (1972); A Decisão da Idade (1976); Observação Directa (2000).

Estudou cinema em Londres e realizou diversos documentários sobre as populações do sul de Angola.

Para além da actividade literária, realizou as longas-metragens Nelisita: narrativas nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989).

Em 1989, Ruy de Carvalho recebeu o Prémio Nacional de Literatura e o seu "Desmedida Luanda, São Paulo, São Francisco e Volta, Crónicas do Brasil" (Livros Cotovia), recebeu também o Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do encontro Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, em 2008.

Em 2008, passou a residir em Swakopmund, na Namíbia, onde faleceu.

Barroco - Um traço de união entre Portugal e o Brasil

O estilo barroco, consequência directa da Contra-Reforma, nasceu para enaltecer Deus de forma grandiosa e apaixonada, utilizando traços exagerados, redundantes, que prendem o espectador mais pela emoção do que pela razão. Atribui-se aos mestres da Renascença a criação do novo estilo, para se opor ao equilíbrio, linearidade e harmonia próprios do classicismo.

A origem da palavra barroco é obscura, mas admite-se como explicação aceitável, que barroco era o adjectivo que designava certas pérolas de superfície irregular e preço inferior. De qualquer forma há um valor depreciativo na palavra, que durante muito tempo foi usada para indicar uma arte e uma literatura "bizarra", "extravagante".

Apesar de todas as críticas acirradas que lhe foram feitas no século XIX, o barroco é hoje resgatado como expressão artística e estética válida e poderosa. De acordo com o escritor e poeta Ferreira Gullar, Prémio Camões 2010, em O Olhar – Barroco Olhar e Vertigem, o Brasil é um país barroco, sobretudo nas suas paisagens. Os montes recortados brasileiros, que tanto influenciaram o arquitecto Oscar Niemeyer, inspiraram uma das características mais fortes do barroco: a linha curva, suplantando a linha recta. “O barroco é uma arte essencialmente retórica, que explora a ilusão de óptica, que conduz ao delírio e à vertigem e consequentemente à ilusão”, afirma Gullar.
 
No Brasil, o barroco, por influência directa de Portugal, floresceu a partir da descoberta do ouro, em Minas Gerais, tendo atingido grande esplendor na Bahia, durante o ciclo do açúcar.

Foram as ordens religiosas - jesuítas, beneditinos, carmelitas e franciscanos - que trouxeram o barroco para o Brasil. Na Bahia, imperou o barroco das igrejas douradas. O melhor exemplo do movimento está na Igreja e Convento de São Francisco, em Salvador, uma das igrejas mais ricas do país, com o seu interior completamente forrado a folhas de ouro.
Depois de Salvador, a cidade de Cachoeira reúne o mais importante acervo arquitectónico no estilo barroco; mas quase todos os municípios da região - Santo Amaro, São Félix, Maragogipe, Jaguaripe, Itaparica e Nazaré - guardam também verdadeiros tesouros barrocos.
O barroco brasileiro foi directamente influenciado pelo barroco português, porém, com o tempo, foi assumindo características próprias.

O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquitecto Antônio Francisco Lisboa também conhecido como Aleijadinho. Suas obras, de forte carácter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil.

Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim.

Casa dos 500 Anos de Cabo Frio assinala aniversário

A Casa 500 Anos de História de Cabo Frio (município do Estado do Rio de Janeiro) comemora o sétimo aniversário da sua fundação neste dia 14 de agosto (sábado).
 
Desde 2003, o Espaço Cultural já registou a presença de mais de 50 mil visitantes, recebendo cerca de 200 escolas públicas e particulares da cidade e de outros municípios. Foram mais de 19 mil alunos vivenciando a história da cidade e 5.882 pessoas que participaram em mais de 60 cursos (História, Pré-história, Teatro, Dança, Música, Cinema/Vídeo, Fotografia, Pintura, Desenho,Artesanato, Acrobacia circense, entre outros).
 
A Casa 500 Anos constitui um autêntico espaço do saber que oferece cursos, oficinas e vários eventos artísticos, abrigando um importante acervo permanente, do qual fazem parte maquetes de monumentos históricos de Cabo Frio, fotos antigas e actuais da cidade, a exposição "A Construção Territorial do Brasil" e o "Descobrimento do Brasil" (ambas trazidas de Portugal), acervo de arte popular e Livros de Actas da Câmara Municipal do Séc. XIX.

Na programação da comemoração haverá apresentações de música erudita e popular brasileira, declamação de poesias, apresentação de ballet, dramatização teatral, capoeira e percussão, entre outros. A entrada é gratuita e a realização é da Secretaria Municipal de Cultura.

Casa 500 Anos de Cabo FrioRua Coronel Ferreira, nº 141, Portinho
Telefones (22) 2646-5973 e (22) 2620-1278.

História

Cabo Frio é o sétimo município mais antigo do Brasil. Em 1503, a terceira expedição naval portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro sofreu um naufrágio em Fernando de Noronha e a frota remanescente dispersou-se. Dois navios, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiram viagem até à Bahia e depois até Cabo Frio. Junto ao porto da barra de Araruama, os expedicionários construíram e guarneceram com 24 "cristãos" uma fortaleza feitoria para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.

Em 1512, este estabelecimento comercial-militar pioneiro, que efectivou a posse portuguesa da "nova terra descoberta" e deu início à colonização do continente americano, foi destruído pelos índios tupinambás em função das "muitas desordens e desavenças que entre eles houve".

UP - Revista de bordo da TAP é referência em publicações internacionais

A UP, revista de bordo da TAP, foi considerada pela prestigiada revista britânica Monocle uma das leituras obrigatórias deste Verão. Já a revista MING, uma publicação chinesa, destacou a UP como sendo uma das melhores revistas de bordo do mundo.

"Este reconhecimento valoriza os diferentes destinos da companhia, em especial o Brasil, amplamente difundidos na revista", refere a empresa portuguesa em comunicado.

O suplemento de verão (europeu) da revista Monocle, designado Monocle Mediterrâneo, sugere a UP entre as leituras obrigatórias dos meses quentes, lado a lado com publicações como El Pais, El Viajero e Vogue Living.

Um outro elogio chega da revista MING, que no artigo intitulado "In-flight Magazine, how far can it go?", da edição de julho, escolhe a UP para uma "short list" de revistas de bordo que selecciona como sendo as melhores do mundo.

A UP tem recebido o reconhecimento internacional desde o seu lançamento em 2007, tendo-se tornado um instrumento privilegiado para a divulgação da TAP, com uma imagem renovada e mais moderna.

Além de poder ser lida dentro dos aviões da TAP, a UP pode ser consultada no site http://www.upmagazine-tap.com/ e está também disponível, a partir deste mês, em versão específica para o iPAD, da Apple.

Comunidade Portuguesa de São Paulo - Calendário de Actividades

 
O Teatro Recriarte apresenta a peça “Cartas Portuguesas”, até 15 de agosto. Espectáculo baseado nas cartas de Mariana Alcoforado para o Cavaleiro de Chamilly (obra-prima do Barroco Português). Rua Fradique Coutinho, 994 - Vila Madalena, Capital. Ingressos: R$ 10,00. Sábados, às 20h e domingos, às 18 horas.

A Associação Portuguesa de Desportos realiza no dia 21 de agosto (sábado), a partir das 20 horas, no ginásio do clube, o banquete em comemoração do seu 90º Aniversário. O evento contará com a presença do cantor Gian & Giovani, além da participação especial da Banda. Os convites poderão ser adquiridos no caixa do clube. Informações e reservas pelos telefones (11) 2125-9411 / 9400. Valor do convite individual: R$ 100,00. A Portuguesa de Desportos está localizada na rua Comendador Nestor Pereira, 33 – Canindé, Capital.

A Casa de Portugal, na continuidade da suas sessões cinematográficas, fará a projecção de documentário sobre a trajetória da vida artística da cantora Amália Rodrigues (1920/1995), que faria 90 anos em julho. A sessão acontece no dia 28 de agosto, sábado, às 18h00, no Espaço Cultural Biblioteca da Casa de Portugal, avenida da Liberdade, 602 – Centro, Capital. Telefax: (11) 3209-5554 3342-2104; e-mail –casadeportugalsp@casadeportugalsp.com.br. Entrada: 1 quilo de alimento não perecível, os quais serão doados à Provedoria da Comunidade Portuguesa.

O escritor Moçambicano Mia Couto em Oficina Cultural no Brasil

O escritor moçambicano Mia Couto é o convidado de honra das comemorações dos 20 anos de actividades da Oficina Cultural Candido Portinari, em Ribeirão Preto. O escritor, um dos mais conhecidos autores lusófonos, estará presente em mais uma edição do projeto Prosa de Saberes.

Mia Couto, biólogo de formação, iniciou sua carreira no jornalismo e consagrou-se à literatura. Agora é considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos de língua portuguesa. Dotado de um estilo original e com obras traduzidas em várias línguas, o escritor contará, no próximo dia 26 de agosto, sua trajetória na 5ª edição do projecto executado pela Oficina Cultural Candido Portinari, que tem o formato de "bate-papo" literário.

Prosa de Saberes tem como principal objectivo a difusão dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - PALOP, em especial por meio da literatura. Desde a sua criação, em setembro de 2009, participaram do projecto o escritor angolano João Melo, o sociólogo e poeta moçambicano Luís Cezerilo, o escritor e cineasta caboverdeano Leão Lopes e o ex-embaixador do Brasil para a CPLP, Lauro Moreira.

Neste mês, o Prosa de Saberes conta com a parceria da Companhia das Letras, editora do escritor Mia Couto, e do Instituto do Livro de Ribeirão Preto. A mediação será do jornalista e professor Romilson Madeira.

Serviço

As inscrições são gratuitas e precisam ser feitas com antecedência na sede da Oficina Cultural Candido Portinari (R. Visconde de Inhaúma, 490 – 1º andar – centro) ou pelo e-mail oc.candidoportinari@gmail.com

Mais informações pelos telefones

(16) 3625-6161 (16) 3625-6161 ou (16) 3625-6970 (16) 3625-6970

26 de agosto de 2010 – 5ª feira – às 19h
Auditório da Biblioteca Padre Euclides
Rua Visconde de Inhaúma, 490 – 1º andar – Centro
Ribeirão Preto / SP

Brasileiros são o maior grupo estrangeiro nas universidades portuguesas

Segundo o documento ‘Inscritos no Ensino Superior: Informação Socioeconómica’, elaborado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a maioria dos alunos estrangeiros é de nacionalidade brasileira (3813). Seguem-se os angolanos (3587), cabo-verdianos (3544) e moçambicanos (876).

De países europeus, são os espanhóis os que mais optam pelas instituições portuguesas para iniciar, continuar ou concluir um curso superior: 679 estavam inscritos no ano lectivo 2008-09. Seguem-se os franceses (584) e os italianos (334). Mas também há alunos provenientes de países tão distantes como a Polinésia Francesa (2) ou Vanuatu (1), ambos da Oceania.

Os brasileiros representam cinco por cento dos alunos do ensino superior português, num total de 8663 estudantes. No ano lectivo 2008-09 estavam matriculados 174 mil alunos no ensino superior, dos quais 165.337 de nacionalidade portuguesa.

Actores portugueses gravam novela no Brasil

O Brasil já importou muito actor português para sua dramaturgia. Agora, é a vez de uma novela portuguesa explorar a paisagem nacional. "Laços de Sangue", uma parceria da Globo com o canal português SIC, terá várias cenas gravadas no Brasil . A trama é escrita por Pedro Lopez, com supervisão de Aguinaldo Silva, e conta com Susana Vieira no elenco.

Os atores Diana Chaves, Diogo Morgado e Sisley Dias (foto) passaram uma semana em gravações no Rio de Janeiro e São Paulo.
 
Na história, o médico João (Diogo) trabalha em missões humanitárias e viaja para a Amazônia com sua namorada Inês (Diana). Na pele de Inês, Diana vai sofrer nas mãos de uma irmã má que fará de tudo para separá-la do amado. A actriz adora o Brasil. "Já conhecia o Carnaval do Rio, mas agora vi como essa cidade é linda". Sisley Dias interpreta o assassino Thiago, que foge para o Brasil depois de cometer o crime.

Há um “sentido português” na construção de muitas cidades brasileiras

Salvador da Bahia é uma dessas cidades de tipo português (Pedro Cunha)

Há um “sentido português” na construção de cidades “diversas e sensoriais” como as capitais brasileiras ou aquelas fundadas por portugueses nos séculos XVI a XVIII na África ou Ásia, disse o arquitecto Hélder Carita.

Muitas capitais brasileiras são “tipicamente portuguesas” na sua forma arquitectónica, afirmou Carita que participa no III Encontro Luso-Brasileiro de Museus Casas sobre “Espaço, Memória e Representação”, a decorrer esta semana na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

“O Brasil tem uma tipologia de cidade portuguesa: uma baía e zonas altas como acontece tanto em Goa, na Índia, como na Baía de Todos os Santos em Salvador da Bahia, ou Luanda, em Angola. Temos o mesmo sentido”, disse Hélder Carita, que se dedica ao estudo da arquitectura e da evolução do seu conceito de espaço ao longo dos séculos.

Segundo disse, as cidades fundadas por portugueses têm “todas uma tipologia muito idêntica, são cidades de porto e abertas ao comércio”. Este é o método de “fazer à portuguesa”, explica Carita, ao referir a herança lusa na construção dos espaços públicos e privados que leva a que, ao visitar cidades como Ouro Preto, em Minas Gerais, por exemplo, exista a sensação de se estar em Lisboa. “As cidades reais, tanto em Salvador, como no Rio de Janeiro, Luanda ou Goa, são capitais que reproduzem a tipologia e organização de Lisboa e são grandes cidades porto”.

“Se chegarmos à Bahia ou a Minas Gerais, estamos em Portugal. Temos uma sensação de familiaridade. São sistemas que não impõem modelos fixos, mas que são sistemas de métodos construtivos”, ressalta.

Numa comparação histórica com os espanhóis, estes, segundo Carita, “eram mais rígidos, as suas cidades [são] todas iguais, enquanto que as nossas são mais flexíveis, mais diversas e sensoriais”, admite. As cidades de tipo português “são sempre para ver e serem vistas, são cidades cenográficas”, complementa.

A partir do próximo dia 16, Hélder Carita ministra, no Rio de Janeiro, um curso para especialistas sobre as casas senhoriais em Portugal e como estas evoluíram entre os séculos XV e XIX.

Vídeo sobre José Saramago apresentado em estreia mundial na Flip























"Não queria estar na pele da Pilar quando eu desaparecer, mas de toda a maneira vamos ficar perto um do outro, as minhas cinzas vão ficar debaixo da pedra do jardim", ouve-se José Saramago dizer no vídeo que o realizador português Miguel Gonçalves Mendes preparou para apresentar na 8ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde o escritor foihomenageado.

"Medo? Não. A morte para mim é a diferença entre estar e já não estar." José Saramago, que morreu no dia 18 de Junho, vira-se para a câmara e diz: "Pilar, encontramo-nos noutro sítio" e apaga uma luz.

Os 40 minutos exibidos na Flip, com cenas que estão incluídas no documentário "José & Pilar" e outras que não estarão, fazem crer que Miguel Gonçalves Mendes quis fazer "um filme sobre a intimidade de duas pessoas extraordinárias", como notou o jornalista e escritor brasileiro Arthur Dapieve, que conduziu a conversa que se seguiu com o realizador que durante três anos filmou a vida do Prémio Nobel.

A Tenda dos Autores, um dos locais onde se realizam as sessões com os escritores e convidados da Flip, estava cheia. "Pilar, vou para casa", diz Saramago. E vai. Em seguida vê-se o escritor sentado à sua secretária na casa de Lanzarote, em Espanha, depois de ter colocado um disco de música clássica no leitor de CD.

Olha para o computador, encosta-se para trás na cadeira como se estivesse a pensar, como se fosse difícil o processo de escrita. O espectador ainda não viu o ecrã. Ele pega no rato, clica: "Este para aqui e este para ali". De repente, o público desata às gargalhadas. Saramago não está a escrever um novo livro, José está a jogar paciências no computador. "Está ganho. As cartas fazem uma espécie de dança" e são boas para afugentar o Alzheimer, diz. Pouco depois, Pilar aparece, tem que ligar alguma coisa na secretária onde o escritor está sentado, e ele, com ar de garoto maroto, dá-lhe uma palmada no rabo. Também os vemos de mão dada, à noite, sentados no sofá a ver televisão.

Assistimos à rotina do dia-a-dia, ao casamento, à entrega a Pilar das páginas que José Saramago vai escrevendo, e a seguir, vemos a espanhola a traduzi-los para castelhano. A determinada altura as vozes dos dois sobrepõem-se, lêem os mesmos excertos dos livros em línguas diferentes (português e castelhano).

Ao contrário de escritores que viveram a boémia, "a minha vida não tem qualquer espécie de interesse. Onde eu ponho as coisas que são verdadeiramente importantes é nos meus livros", afirma Saramago, lembrando que "o tempo aperta" e que quando o tempo aperta há um sentimento de urgência.

Nos excertos de "José & Pilar", que ontem no Brasil foram apresentados mundialmente pela primeira vez (a estreia nos cinemas portugueses está marcada para Novembro, mas haverá uma apresentação a 14 de Outubro no DocLisboa), assistimos ao momento em que dentro de um avião, algures entre a Europa e a cidade brasileira de São Paulo, Saramago se vira para a mulher e lhe diz: "Tive uma ideia sobre Caim". Pilar, chama a hospedeira e pede: "Por favor uma cerveja, uma cerveja. Estou a ter um ataque de pânico." Bebe a cerveja de um trago. Saramago teve a ideia daquele que acabou por ser o seu último livro.

Arquitecto português apresenta no Rio as casas senhoriais lusas

O arquitecto e historiador português Helder Carita, que se dedica ao estudo da arquitectura e da evolução do seu conceito de espaço, vai ministrar este mês no Rio de Janeiro, na Fundação Casa de Rui Barbosa, um curso sobre as casas senhoriais em Portugal e como evoluíram entre os séculos XV e XIX.

O curso corresponde à segunda parte do ciclo de palestras iniciado em 2009 sobre a casa nobre em Portugal ao longo dos séculos XV a XIX. Nele, será abordada a temática dos programas distributivos, da decoração fixa e do equipamento móvel. Vai analisar temas como os interiores da Idade Média ao Renascimento, o Barroco de D. João V, D. Maria e o neo-classicismo de corte e o Romantismo e os interiores.
 
Helder Carita foi, entre 2000 e 2004, director Pedagógico da Fundação Ricardo Espírito Santo e do Conservatório Nacional de Lisboa. Participou, em 1982, da renovação da Casa dos Bicos, um dos monumentos mais expressivos da capital portuguesa. É autor de "Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal, ou da originalidade e desaires desta arte" e publicações como "Oriente e Ocidente nos interiores em Portugal", "Elementos para o estudo da Casa dos Bicos", "Lisboa Manuelina e a Formação de Modelos Urbanísticos da Época Moderna (1495-1521)" e "Arquitectura Indo-Portuguesa na região de Cochim e Kerala".
 
O curso já tem inscrições abertas e inclui aulas às segundas, quartas e sextas-feiras entre os dias 16 e 27 deste mês, sempre das 18 às 21 horas.

Encerrada sétima edição dos jogos da CPLP


Os VII Jogos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreram na cidade de Maputo, capital de Moçambique, terminaram no passado dia 7 de Agosto (sábado) , no estádio do Maxaquene, depois da confirmação da medalha de bronze aos anfitriões no torneio de futebol (0-0 diante da Guiné Bissau). Portugal obteve ouro neste torneio.

No intervalo, a cerimónia ficou marcada com uma espectacular descida de para-quedas bem como música ao vivo de grupos locais. Durante 10 dias, sete países (Angola, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor Leste) disputaram as medalhas do evento.

A oitava edição dos Jogos da CPLP será realizada em Portugal em 2012.

"Culturas cruzadas em português - Redes de Poder e Relações Culturais"

A editora portuguesa Almedina iniciou em Junho a publicação da série Culturas Cruzadas em português - Redes de Poder e Relações Culturais (Portugal - Brasil, Séc. XIX e XX) com o livro Instituições, Diplomatas, Intelectuais e Movimentos, coordenado por Cristina Montalvão Sarmento, professora da Universidade Nova de Lisboa, e Lúcia Maria Paschoal Guimarães, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil).

Um dos capítulos incluídos no livro, escrito por Teresa Rodrigues e Mário Ribeiro (Universidade Nova de Lisboa), tem por título “Dois lados do mesmo sonho. A nova imigração brasileira em Portugal”. Neste texto, os autores têm por objectivo enquadrar a compreensão das migrações entre o Brasil e Portugal no espectro mais amplo das relações entre ambos os países.

Recorrendo a uma análise de cariz sócio-demográfico e reflectindo sobre a importância das redes enquanto “estruturas organizativas”, os autores defendem a tese de que a proximidade cultural entre os dois países funciona como um elemento de incentivo à migração e atribuem aos Estados envolvidos o papel de catalisadores da mobilidade - nomeadamente através da assinatura de acordos bilaterais.
Mais informações no sítio da editora Almedina

Praça de São Francisco, em Sergipe, Brasil, é 24º. sítio de origem portuguesa na Lista do Património Mundial

A praça de São Francisco, em São Cristóvão, a primeira capital de Sergipe, a 23 quilómetros de Aracaju, é o mais novo bem do Património Mundial e tornou-se o 24. sítio de influência portuguesa a entrar na lista da UNESCO. A decisão foi tomada durante a 34ª. sessão do Comité do Património Mundial, que decorreu em Brasília.

O conjunto arquitetónico dessa praça, em que está erigido o Convento de São Francisco, “é um dos mais expressivos remanescentes entre os que foram edificados pela Ordem Franciscana no Brasil Colónia”, refere o documento apresentado pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao Comité do Património Mundial.
 
O documento diz ainda que A Praça de São Francisco foi a única candidatura apresentada pelo Brasil para entrar na Lista do Património Mundial este ano e, com o seu registo, já são 18 os bens brasileiros que constam na listagem da UNESCO - todos de origem portuguesa, à excecpção de Brasília e das paisagens naturais.
 
Durante a reunião, o presidente do Comité e ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, ressaltou que a inclusão da Praça de São Francisco na lista de Património Cultural Mundial representa “um reconhecimento da singularidade da formação do acervo cultural brasileiro”.

Decisão sobre icnofósseis de dinossauros da Península Ibérica bem recebida por Portugal

A decisão do Comité do Património Mundial de voltar a analisar numa próxima reunião a candidatura dos sítios dos icnofósseis dos dinossauros da Península Ibérica foi considerada positiva pelos representantes de Portugal. “Partimos de um 'não' para um 'sim', só não sabemos o quando”, afirmou o embaixador Fernando Andresen Guimarães, presidente da Comissão Nacional da Unesco.

Na avaliação do representante português, a decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconhece o trabalho científico já realizado e abre um nova etapa no processo da candidatura, que permitirá a demonstração inequívoca do seu valor universal.

Portugal e Espanha vão preparar um seminário internacional de peritos, com a participação da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN) e de representantes de outros países, provavelmente no início de 2011, para chamar a atenção para os icnitos de dinossauros da Península Ibérica.
 
Os icnofósseis são uma candidatura extremamente interessante, moderna, dinâmica, diferente e, por isso mesmo, mais difícil”, afirmou Andresen Guimarães, lembrando a resistência de alguns paleontólogos em reconhecer as pegadas dos dinossauros para o interesse mundial. “Alguns paleontólogos estão mais atentos aos fósseis de dinossauros quando se trata de jazidas com ossos”, explicou. “Mas houve muito interesse nesta candidatura. Foi-nos pedido para estudar um pouco melhor a questão da articulação entre os vários sítios e a questão da declaração do valor universal excecional”, acrescentou.
 
A candidatura dos "Icnitos de Dinossáurios da Península Ibérica” inclui oito jazidas em Espanha e três em Portugal – Pedreira do Galinha, Vale de Meios e Pedra da Mua. Numa das trilhas em território português é possível ver pegadas de uma família de dinossauros, havendo vestígios de dois adultos e três jovens animais.
 
Após a 34ª Sessão do Comité do Património Mundial, em Brasília, a lista dos bens de valor universal excecional passou a contar com 911 sítios. Portugal está presente nesta listagem com 13 sítios inscritos, aos quais se acrescentam 24 outros bens de origem portuguesa espalhados pelo mundo. O último a entrar neste rol foi a Praça de São Francisco, em São Cristóvão, no estado brasileiro do Sergipe, cuja inscrição foi aprovada durante a reunião em Brasília.
 
Já a candidatura do Forte de Jesus, em Mombaça, no Quénia, outro bem de influência portuguesa cuja candidatura foi analisada durante a 34ª Sessão do Comité do Património Mundial, deverá ainda ser mais trabalhada para posterior reavaliação.

Três gabinetes portugueses nomeados para o World Arquitecture Festival

Três gabinetes portugueses estão nomeados para o World Arquitecture Festival (WAF), considerado o maior concurso de arquitectura do mundo, que se realiza em Novembro, em Barcelona. A lista dos nomeados, conhecida esta sexta-feira, inclui participantes de mais de 80 países, entre os quais os gabinetes portugueses "Manuel Ventura & Associados", "Promontório Arquitectos" e "Lema Barros + Castelo Branco Arquitectos".

O painel do júri internacional de 65 elementos é composto por arquitectos e críticos de arquitectura, reconhecidos internacionalmente.

O concurso está organizado em 27 categorias, num modelo semelhante aos "Óscares" no cinema, sendo numa primeira fase seleccionados, de entre os milhares de concorrentes, os melhores projectos e edifícios por cada categoria.

Os nomeados serão depois sujeitos a uma eleição para escolher o vencedor da respectiva categoria e, posteriormente, eleger o melhor edifício e o melhor projecto do ano.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A DOCE LÁGRIMA Por Lúcia Helena Pereira



 
 Lúcia Helena Pereira
Poetisa das Flores e do Amor
Cônsul do M.I, Poetas Del Mundo
 
 
 
 
 
A DOCE LÁGRIMA

Lúcia Helena Pereira
(09/08/2010)


Ela escorria da ladeira d´alma
Radiosa como um sol.
Vinha de um cântaro de perfumadas flores,
Docemente deslizando dos meus olhos.

Bem à beira daquela fonte de luz e riacho,
A lágrima passava veloz
Misturando-se à incansável simbiose de águas
Que o segredo buliçoso do momento,
Expandia!

Havia naquela lágrima, uma doçura imensa,
Canção distante no olhar querente
Insatisfeito, magoado, espinho cravado na íris
Ferida ainda aberta, sangrando...

A minha lágrima dorida
É uma fonte imensa de tristeza
Caindo num lago azul, só de flores
Onde anjos banham-se e cantam.

Onde os meus sorrisos de infância?
Onde a felicidade de outrora?
Onde recuperar o passado?
Onde não sofrer buscando explicações?

Desce um véu de luz dos meus olhos,
Inebriante estrela fulge ao longe,
Sinto-a escorregar entre os meus dedos...
É a lágrima contente, a festejar!


AO MEU PAI - NO DIA DOS PAIS - Carlos Morais dos Santos



Depois de uma ausência de postagens desde o dia 24 de Julho por  razões de impossibilidade visual após 3 intervenções ciruúrgicas aos meus olhos, e mais outra cirurgia de coração, recomeço hoje, já quase completamente apto mas ainda com algumas restrições de tempo ao computador.

Quero aproveitar para agradecer comovidamente a muitos dos meus queridos amigos de Portugal e do Brasil, deste especialmente os amigos de Natal,  todas  as mensagens e palavras de comforto e solidariedade, durante este período.

Como síntese da beleza dessa solidariedade e carinho para comigo,  publico aqui mais um dos belos poemas que a excelsa "Poetisa das Flores e do Amor", minha querida amiga  e confreira  Cônsul do M.I. Poetas Del Mundo e do IHG/RN, Lúcia Helena Pereira, de Natal, me dirigiu e me dedicou ainda há poucos dias.

AO CARLOS MORAIS DOS SANTOS
(Por Lúcia Helena Pereira)

Levo-te, humedecido em águas de açucenas,
O meu lenço de organdi branco
Para enxugar a lágrima que por ventura
Venha a rolar do teu olhar magoado.

Nesse lenço, um pouco do perfume de minh´álma
Espargindo pelo ar, num sopro úmido
Da flor que hoje colhi, tão cheia de cor e beleza,
Só para te ofertar.

Hoje, neste dia dos Pais no Brasil (em Portugal o Dia dos Pais é celebrado em dia e mês diferente), quero aqui homenagear meu pai com um poema que lhe dediquei e, através desse poema, homenagear todos os pais do mundo que, amorosamente, souberam ser e são, o grande sustentáculo educador, formador e de amor, constituindo o maior e inesquecível exemplo mais marcante para seus filhos. A todos os pais que, ao lado de todas as mães também exemplares e marcantes, se completaram na construção de novas pessoas humanamente ricas, com base no maior de todos os exemplos de doação de vida: o Amor!      


PAI

Eu me lembro muito bem
PAI
do carinho dos teus olhos
do calor das tuas mãos
do belo som da tua voz

Eu me lembro muito bem
PAI
Da sabedoria das tuas palavras
Do brilho do teu pensamento
Da humanidade das tuas lutas

Eu me lembro muito bem
PAI
da força do teu Saber-Ser
do bom gigante que sempre foste
da generosidade dos teus atos

Eu me lembro muito bem
PAI
Como amaste a liberdade
Como te bateste pelos humilhados
Como defendeste os ofendidos

Eu me lembro muito bem
PAI
Porque em mim estás bem presente
E me ensinas muito para além
Do teu repouso permanente…
Porque tudo em ti é meu também


Eu me lembro muito bem
PAI
Como chorei por não te ter
Ao meu lado naquele dia
De verde-esperança do amanhecer
De uma nova pátria que se abria
Em Abril a florescer
A liberdade e a democracia

Eu me lembro muito bem
PAI
Como arriscaste a liberdade
Em lutas por justa razão
Por amares a igualdade
Dos direitos do cidadão
Por sentires a fraternidade
Em atos de compaixão,
Como sonhaste com a claridade
Que se iluminasse em revolução !

Eu me lembro muito bem
PAI
Das rugas do teu bom humor
No canto dos teus olhos rindo
Do calor do teu grande amor
Das tuas mãos grandes se abrindo !

Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) do M.I. Poetas Del Mundo
In Sossego Intranquilo
Ed.Hugin, 2003, Lisboa

sábado, 24 de julho de 2010

Poeta Marize de Castro em evidência na crítica literária do Jornal da Paraíba e um poema que lhe é dedicado por Carlos Morais dos Santos


Marize de Castro e
Carlos Morais dos Santos








Fiquei muito feliz e contente por receber mais este artigo de crítica literária de Astier Basílio do JORNAL DA PARAÍBA, sobre a minha muito querida amiga de longa data, a brilhante poeta Marize de Castro, de Natal-RN - Brasil e, por isso, não resisti a transcrever aqui esse artigo.

Recordo, a propósito, que aqui, no CULTURAS E AFETOS LUSÓFONOS, já rendemos justo Tributo de Homenagem a esta poetisa que é, seguramente, um dos mais iluminados valores da jovem pooesia do Rio Grande do Norte, mas aproveito mais este reconhecimento aqui registado no Jornal da Paraíba, para publicar um poema inédito meu que, ainda à espera de ser incluído no meu próximo livro (quase pronto) de poesia, dediquei à minha querida amiga Marize de Castro, poema que colocarei depois deste artigo que lhe foi dedicado a propósito do seu mais recente livro "  Lábios-Espelhos"  , lançamento que, oportunamente, também noticiámos aqui.  Carlos MS

JORNAL DA PARAÍBA
JPCrítica
DIVULGAÇÃO
Por Astier Basílio



Poeta Marize de Castro








Não existem fórmulas
que garantam
uma boa poesia.
Não há receitas. O
fato de Marize Castro,
por exemplo, escrever
poemas curtos, econômicos,
apostar na
simplifi cidade não dá
nenhuma garantia de
que seu trabalho poético
seja bem realizado. O que faz Lábios - espelhos
(Una, Rio Grande do Norte, 2009, 97 págs.)
uma obra de qualidade é algo mais do que a
combinação de um receituário seguido à risca.
Não. É algo imponderável chamado talento.
Marize não se preocupa em ostentações.
Veja o poema “Deus é Mundo” em que ela diz:
pequenas mortes acompanham-me/ Desamparo-
me a cada página/ Ela me disse: Deus é
o mundo./ Desde então, não me encolho mais./
Amplio-me. Há, neste curto texto, dois eixos
fundamentais. O primeiro, a referência a um
eu-lírico, exteriorizado em terceira pessoa,
denominado de “Ela”, referência que atravessa
vários textos. O outro eixo, ou melhor,
mais a revelação de uma estratégia, mostra
uma poeta que esconde suas intertextualidades,
que aposta no simples, é que “pequenas
mortes”, principalmente no idioma francês,
é uma metáfora para orgasmo, elemento que
ilumina a temática erótica e amorosa de seus
textos curtos e fulminantes.
Quem é essa “ela”? Essa “ela” que se insurge
(se eu não escrevo, ela me engole/ come meu
útero./ Meu cérebro...) que, por que não dizer,
se metamorfoseia em várias outras, multidão
de uma só que canta e que anuncia: conduzo
águias/ tropeço em harpas/ troco em harpas/
troco anáguas no jardim/ onde os amantes são
sepultados. Tentando, em vão responder a essa
pergunta, a de quem seja “ela”, a melhor resposta
não é decifrar o enigma, mas de contemplar
o enigma, beijá-lo, como sugere o título,
Lábios - espelho, uma gradação em camadas,
uma caixa de pandora luminosa e, ao mesmo
tempo, opaca, pois, a transparência de Marize
ilusoriamente revela. Eis o jogo, como sugerido
em “silente”: sinto urgência em dizer: calo
_________________________________








MULHER, MENINA, LABIRINTO, POETA
(Para Marize de Castro)
Labirinto de algas
Noturno Mar
Impenetrável “Castro”
Nuvem navegante
Serpente de Luz
Romã prolífera

És rasto de esquecidas memórias
Corpo de rasgadas carnes
com sulcos de pontos-luz
em sombras, baças, fugazes.

Vestida de véus, ornada de diamantes
em poemas, cavalgas o Sol e a Lua,
os rios, os mares e todos os pássaros.
em rituais cópulas, febris, inebriantes.

Das tuas arestas vivas sangra mel
e nos abismos do teu Ser-Sentir
macios pingos de dor, inaudíveis,
soltam explosões siderais, ofuscantes.

Mas és viajeira do tempo vindouro
em espaços abertos, lava escaldante.
Dos teus férteis lábios, seios e ventre
Escorre um néctar que é puro ouro
Que adorna teu poema, maior amante,
Que te cativa, fertiliza e castra, insistente.

Pássaro dos abismos e montanhas insondáveis
Vôos de “Via Crucis – Via Láctea”, alma errante,
Ecos de amor-dor, música telúrica, Vestal,
Poemas vibrantes de harmonias improváveis,
Cantares de amigo, de castigo e de amante,
Pedras de lapidação onírica de sublime cristal.
Poema e foto
Carlos Morais dos Santos

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Carlos Morais dos Santos - Poema APENAS E SÓ







APENAS E SÓ

Eu quisera ser
Um rápido cometa
Na breve miragem
Do teu olhar

Jamais estrela,
Menos ainda SOL

Apenas movimento
De vaga translação,
De breve passagem,
Ínfimo pedaço
De desconhecido planeta
Onde, por breves instantes,
Teu olhar íntimo, em mim pousou

Eu quisera ser
Apenas e só
Um risco luminoso
No espaço duma vida !



Carlos Morais dos Santos