
O pintor moçambicano, de 74
anos, estava internado há vários dias no Hospital Pedro Hispano, em
Matosinhos. O artista, que pintava pessoas e a vivência moçambicana,
morreu na madrugada, do dia 5, vítima de doença prolongada, refere a direcção do
hospital. A morte de Malangantana é lamentada pela comunidade de Países
de Língua Portuguesa.
Além de pintor, Malangatana era escultor, contador de histórias, dinamizador cultural, poeta e ator, que começou a dedicar-se às artes quando o arquiteto português Pancho Guedes lhe cedeu uma garagem para atelier.
Pancho Guedes tem patente uma
mostra de obras africanas no Mercado Santa Clara, em Lisboa, onde
constam trabalhos do início do percurso de Malangatana. Também na Casa
da Cerca, em Almada, está disponível até domingo uma exposição de
desenhos e esculturas do moçambicano. O Centro de Arte Moderna da
Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, é outro dos locais onde se
expõem cinco obras do pintor.
Representado em várias coleções
públicas e privadas, Malangatana expôs em conjunto ou em nome individual
em Moçambique, África do Sul, Brasil, Dinamarca, Estados Unidos,
Grã-Bretanha e Portugal.

A morte do moçambicano representa "uma perda muito grande para o mundo lusófono", comentou o secretário de Estado da Cultura. Elísio Summavielle
considera que Malangatana era "uma figura universal na área das artes,
com uma obra muito vasta" e um "grande homem e um resistente
anti-colonial".
Já o secretário executivo da
Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) sublinha que
Malangatana “ultrapassou as fronteiras de Moçambique e de África. Esta
perda é irreparável", disse Domingos Simões Pereira. Apontando
o carisma do pintor moçambicano que "rapidamente se transformou numa
verdadeira lenda viva", o secretário-executivo da CPLP destacou também a
sua "grande dimensão humana". "Espero que a obra que ele deixa inspire
outros a continuar e a manter esta dimensão", declarou.
Para a diretora da Casa da Cerca, a morte do pintor é uma "grande perda" para a cultura e para a humanidade. Ana Isabel Ribeiro
destaca que o artista e o cidadão Malangatana deixaram sempre que "as
pessoas, as culturas e o ser humano nas suas alegrias e tristezas
invadissem as suas telas".
"É uma alegria e também uma
grande tristeza saber que somos talvez os únicos a expôr neste momento
desenhos e pinturas do artista feitos propositadamente para esta
mostra", referiu a diretora da Casa da Cerca.
Malangatana "cruzou e fez a
simbiose entre a iconografia africana e o modernismo europeu", explica a
diretora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian, cuja coleção
integra cinco obras do pintor. Isabel Carlos, que antes
de assumir a direcção do CAM foi crítica de arte, aponta o forte
caráter autoral da obra de Malangatana. Nas suas telas, “o coletivo e as
multidões são representadas" com rostos que são máscaras. "A obra tem
uma identidade muito forte. Quando olhamos para uma obra do Malangatana,
imediatamente dizemos que é Malangatana. Tem uma autoria fortíssima",
sublinhou.
O crítico de arte Rui Mário Gonçalves destaca
a importância da obra do pintor moçambicano, com a “sua tendência para a
universalidade, mas sem perder a genuidade da própria origem.
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