TOP BLOG 2010

TOP BLOG 2010

Boas Vindas a esta comunidade de Culturas e Afetos Lusofonos que já abraça 76 países

MÚSICA DE FUNDO E AUDIÇÃO DE VÍDEOS E AUDIOS PUBLICADOS

NÓS TEMOS TODO O EMPENHO EM MANTER SEMPRE MÚSICA DE FUNDO MUITO SELECIONADA, SUAVE, AGRADÁVEL, MELODIOSA, QUE OUVIDA DIRETAMENTE DO SEU COMPUTADOR QUANDO ABRE UMA POSTAGEM OU OUVIDA ATRAVÉS DE ALTI-FALANTES OU AUSCULTADORES, LHE PROPORCIONA UMA EXPERIÊNCIA MUITO AGRADÁVEL E RELAXANTE QUANDO FAZ A LEITURA DAS NOSSAS PUBLICAÇÕES.

TODAVIA, SEMPRE QUE NAS NOSSAS POSTAGENS ESTIVEREM INCLUÍDOS AUDIOS E VÍDEOS FALADOS E/OU MUSICADOS, RECOMENDAMOS QUE DESLIGUE A MÚSICA AMBIENTE CLICANDO EM CIMA DO BOTÃO DE PARAGEM DA JANELA "MÚSICA - ESPÍRITO DA ARTE", QUE SE ENCONTRA DO LADO DIREITO, LOGO POR BAIXO DA PRIMEIRA CAIXA COM O MAPA DOS PAISES DOS NOSSOS LEITORES AO REDOR DO MUNDO.

sábado, 14 de maio de 2011

III Encontro Catarinense de Escritores de Alfredo Wagner - SC - Brasil

Já está sendo preparado o III Encontro Catarinense de Escritores de Alfredo Wagner e Região. A data já está escolhida 2 e 3 de setembro, começando as comemorações da Semana da Pátria. O II Encontro reuniu escritores de 3 Países, 5 Estados e mais de 30 municípios. Este ano está sendo organizado pela Academia de Letras do Brasil/SC Municipal Alfredo Wagner e tem como lema Encontro do Cinquentenário. Maiores informações poderão ser obtidas pelo site www.encontrodeescritores.com.br

ALFREDO WAGNER E REGIÃO 
PROGRAMA

DIA 02/09/2011 – A PARTIR DAS 9:00 horas CREDENCIAMENTO E ABERTURA DA FEIRA DE LIVROS E DE ARTES EM GERAL.

12:00 HORAS ALMOÇO

14:00 HORAS: ABERTURA OFICIAL DO ENCONTRO (ENTRADA DAS BANDEIRA E HINO NACIONAL)

- SAUDAÇÃO AOS PRESENTES PELA ESCRITORA BERTOLINA MAFFEI – PRESIDENTE DA ALB/SC MUNICIPAL DE ALFREDO WAGN0R

- PALAVRA DO PREFEITO MUNICIPAL DE ALFREDO WAGNER, NIVALDO WESLLER


 - SAUDAÇÃO AOS PRESENTES PELO PROFESSOR MIGUEL JOÃO SIMÃO – 
PRESIDENTE DA ALB/SE (Lamentavelmente, devido a compromissos assumidos anteriormente não se fará presente o grande intelectual catarinense, Prof. Miguel João Simão. Sua presença, ainda que ausente, será sempre lembrada

- PALAVRA DO DR MÁRIO ROBERTO LOPES CARABAJAL – PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL

- APRESENTAÇÃO ARTISTICA

14:30 – 15:30 PALESTRA: ALFREDO WAGNER – DOS PRIMÓRDIOS À EMANCIPAÇÃO

15:30 HORAS – CAFEZINHO

16:00 – 17:00 PALESTRAS DE ESCRITORES CADASTRADOS

17:00 – APRESENTAÇÃO CULTURAL

17:15 – 18:00 – PALESTRA: ALFREDO WAGNER – CINQUENTA ANOS DE EMANCIPAÇÃO

18:00 – PALESTRAS DE ESCRITORES CADASTRADOS

20:00 – JANTAR E QUERMESE NA PRAÇA

DIA 03/09/2011
9:00 – VISITA AOS PONTOS TURÍSTICOS E HISTÓRICOS DA CIDADE

12:00 – ALMOÇO

14:00 – PALESTRAS DE ESCRITORES CADASTRADOS

15:00 – APRESENTAÇÃO ARTISTICAS

15:30 – CAFEZINHO

16:00 – PALESTRAS DE ESCRITORES CADASTRADOS

17:00 – SESSÃO SOLENE DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL/SC MUNICIPAL ALFREDO WAGNER E ENTREGA DA MEDALHA DO CINQUENTENÁRIO AS AUTORIDADES E AOS ESCRITORES PRESENTES
- HINO DO MUNICÍPIO DE ALFREDO WAGNER CANTADO PELOS CORAIS PRESENTES

Secretaria da Educação de Alfredo Wagner

Blog da Educação em Alfredo Wagner

terça-feira, 10 de maio de 2011

Poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) - "Quem me dera"... que a minha vida fosse um carro de bois " e a obra de Alberto Caeiro "Guardador de Rebanhos"


A minha amiga de Natal-Brasil, a sublime "Poetisa das Flores e do Amor" - Lúcia Helena Pereira, minha confrade como Cônsul da Assoc. Internacional Poetas Del Mundo" e, como eu, também membro do IHG-RN-Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Norte-Brasil, além de, também, ser nossa colaboradora como membro do Conselho Editorial/Redatorial deste nosso nosso Blog-Revista Cultural,  enviou-me ontem um email em que relatava a sua emoção ao ter visto e ouvido,  num programa cultural da televesão brasileira, uma mulher do campo do interior de Minas Gerais-Brasil, de seu nome Leopoldina, cantar uma canção que tinha como letra, o poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), "Quem me dera  " ...que a minha vida fosse um carro de bois  " da obra  "Guardador de Rebanhos  ".

Como já era minha vontade voltar a publicar brevemente algo mais do meu Genial Mestre Fernando Pessoa ou de alguns dos seus inúmeros heterónimos, e inspirado pelo relato de minha amiga sobre a emoção de ter ouvido a mineira Leopoldina a cantar Pessoa, resolvi antecipar a minha intenção e fazer já hoje esta postagem dedicada àquele poema e à obra " Guardador de Rebanhos ".

Como, para mim e para a maioria dos amantes da poesia lusófona, Fernando Pessoa é o maior e mais genial poeta da língua portuguesa depois de Camões, e pelo facto de a obra  " O Guardador de Rebanhos " (escrito por Alberto Caeiro numa só noite de insónias, como afirmou Fernando Pessoa) ser, talvez, menos conhecida, aproveitei a inspiradora sugestão da minha amiga poetisa Lúcia Helena Pereira para, celebrar mais uma vez aqui, o Grande Poeta, agradecendo a boa sugestão que a minha amiga, em boa hora, me induziu.




















QUEM ME DERA
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.


Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Alberto Caeiro (in o Guardador de Rebanhos



____________________________________________________

O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)

O Guardador de Rebanhos é uma obra poética constituído por 49 poemas, escritos pelo heterônimo Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, em 04.03.1914, e Fernando Pessoa atribuiu sua gêneses a uma única noite de insônia de Caeiro. Foram publicados em 1925 nas 4ª e 5ª edições da revista Athena, com exceção do 8º poema do conjunto que só viria a ser publicado em 1931, na revista Presença.


A obra contêm poemas "em que a personagem surge sob iluminações imprevistas, revelando aspectos que contradizem o seu ideal de Si-Mesmo e lhe conferem verossimilhança ficcional". Os poemas mostram a forma simples e natural de sentir e dizer de seu autor, voltado para a natureza e as coisas puras.

O Guardador de Rebanhos nos transmite ou propõe uma forte cosmovisão ao querer reintroduzir aparentemente um mundo pagão no século vinte de um ocidente cristianizado, mas também é certo que não possui uma ordem ou hierarquia de valores como é apanágio do poema épico. Pelo contrário, a sua forma modular permite que o poema se alongue com repetições de motivos que passam de texto para texto não resolvidos ou por resolver, numa recombinação sucessiva onde emerge uma insuspeita temporalidade. Assim, a natureza aleatória das séries (outra designação para o poema serial) sugere que estas são anárquicas, não porque acabem num tumulto de sentidos incompreensíveis, mas porque se recusam a impor uma ordem externa nos assuntos que tratam ou desenvolvem.

Por outro lado, se o poema de Caeiro oferece um texto final de adeus, este final é completamente arbitrário, não decorre de nenhuma progressão temática ou narrativa que o exija ou a venha coroar, nem, por outro lado, de uma finalidade ou intencionalidade, como acontece necessariamente com o poema épico. Além disso, a concatenação dos textos que se seguem uns aos outros não é subordinada, antes denuncia o seu acaso de inspiração.

O Guardador de Rebanhos guarda pensamentos, que são sensações. O símbolo do rebanho é a representação do limite da existência humana, onde reside a liberdade. O que possui rastros do religioso torna-se demoníaco. O símbolo rompe a angústia da separação e busca na dimensão do divino, o divino que se rompera.

Na obra há um aperfeiçoamento gradual neste sentido: os poemas finais – e sobretudo os quatro ou cinco que precedem os dois últimos – são de uma perfeita unidade ideo-emotiva.

Alberto Caeiro é o poeta voltado para a simplicidade e as coisas puras. Vive em contato com a natureza, extraindo dela os valores ingênuos com os quais alimenta a alma. Embora contrária às filosofias tradicionais, essa faceta de Fernando Pessoa segue ainda os princípios acadêmicos em seus versos. É o lírico que restaura o mundo em ruínas, quando se relaciona com os seres sensitivos, ou o bucólico que foge para o campo, onde encontra maneira poética de sentir e de viver. Em Caeiro há uma "ciência espontânea", um "misticismo materialista" e uma "simplicidade complexa" - "atributos paradoxais que servem para intensificar e tornar crível a sua extraordinária singularidade". Os fragmentos IX e X de O Guardador de Rebanhos mostram, a forma simples e natural de sentir e dizer desse poeta:
           http://www.passeiweb.com

_____________________________________
IX

Sou guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso  com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.


Pensar uma flor é vê-la e cheira-la
E Comer um fruto é saber-lhe o sentido.


Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de goza-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz.

X

Olá, guardador de rebanhos,
Ai à beira da  estrada,
Que te diz o vento que passa? 


Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois,
E a ti o que te diz? 


Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram. 


Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.

O Guardador de Rebanhos é uma obra poética constituída por 49 poemas, escritos pelo heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, em 04.03.1914. Eis aqui, abaixo, o conjunto dos 49 poemas 


1.         I - Eu Nunca Guardei Rebanhos
2.       II - O Meu Olhar
3.       III - Ao Entardecer
6.       VI - Pensar em Deus
7.       VII - Da Minha Aldeia
13.    XIII - Leve
16.    XVI - Quem me Dera
19.    XIX - O Luar
26.    XXVI - Às Vezes
28.    XXVIII - Li Hoje
35.    XXXV - O Luar
49.    XLIX - Meto-me para Dentro



Por cortesia e créditos devidos a: http://www.jornaldepoesia.jor.br/fp254.html
 todos os títulos acima estão "linkados" aos respectivos poemas que compõem os 49 poemas da Obra "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro, pelo que "clicando" nos títulos terá acesso direto ao respectivo poema



  Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) da Assoc. Internac. Poetas Del Mundo

1.      

segunda-feira, 9 de maio de 2011

III Bienal das Culturas Lusófonas




Desde o passado dia 2 que se realiza, em Odivelas, a III Bienal de Culturas Lusófonas.
Em tempo de dificuldades financeiras sérias o município de Odivelas entendeu, e bem na nossa opinião, manter a organização desta Bienal, reunindo no Concelho movimentos e atitudes culturais dos 7 países de língua oficial portuguesa.

Trata-se de um acontecimento que põe Odivelas no centro da Lusofonia, e se isso pode ser importante para os políticos locais, o certo é que é certamente importante para Portugal, desde que este acontecimento não seja um caso isolado, mas antes, enquadrado numa política de cooperação pela divulgação e desenvolvimento do uso da língua portuguesa no mundo.

A importância que isso pode ter no desenvolvimento cultural e económico dos 7 países só será verdade se, de facto, todos eles aderirem sem subterfúgios a esta causa linguística.
A questão está em que a importância da língua portuguesa, como elo de ligação entre estes povos tão diferentes, vai bem mais longe do que os simples salamaleques e anúncio de intenções a que frequentemente se confinam as relações entre os povos da CPLP.

Tanto nos discursos da inauguração da Bienal, como nas palavras que serviram de homenagem a Malangatana e a Lauro Moreira, como na abordagem dos temas do Fórum, foram muitas, boas e bonitas as intenções e as afirmações de cooperação e de entendimento entre todos os presentes.

O conceito de “Uma Nação com 8 Governos” que foi avançado parece-nos algo exagerado, mas como diz o outro, o que vale são as intenções.

Uma nota apenas para o facto de não termos dado ainda por qualquer referência a Goa.
Não faz parte da CPLP, não é uma Nação, mas é um Estado que, integrando a União Indiana, mantém vivo muito do que é a Lusofonia.
Em caso de dúvida é só lá dar um saltinho.

JP Setúbal
Odivelas.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Por Carlos Morais dos Santos - Poema PESSOAS SEM ABRIL

Portugal comemorou há apenas 10 dias, a Revolução de 25 de Abril de 1974 - A esperançosa Revolução dos cravos que assinala o seu regresso à democracia e ao desenvolvimento mas, 37 anos depois, acaba de "celebrar", ontem, a imposição de um severo e punitivo programa de governo, imposto por entidades externas, uma designada Troyka, composta de Altos Funcionários Especialistas do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do FMI - Fundo Monetário Internacional, para "salvar" Portugal da "banca-rota" 

 

Décadas de desgovernação, incompetência e muita corrupção, levaram Portugal a acumular uma monstruosa dívida pública e privada que, agora, vai ter de ser paga, com juros especulativos, a duras penas, pelo povo trabalhador, incluindo mesmo os que já haviam adquirido o direito à suas aposentadorias, todos vergados ao peso de violentos aumentos de impostos e redução de serviços sociais, apesar de, desde 1986, data da adesão de Portugal á União Europeia (então designada C.E.E.), Portugal ter recebido colossais verbas de auxílio para que promovesse o seu Desenvolvimento Económico e Social, em termos de atingir uma coesão ao nível da média dos países desenvolvidos da UE. 

 

Esta é uma situação vergonhosa e humilhante, que está provocando um alto nível de desemprego, sobretudo nos jovens, apesar de, em grande parte, estes se terem qualificado com formação universitária superior, mas que se vêm agora "obrigados" a reabrir novamente o indesejado e estigmatizante movimento emigratório para outros países.  A classe média está a diminuir, contribuindo para aumentar o nível de pobreza que seria expectável já tivesse, entretanto, sido irradicada.

 

Apesar do enorme desenvolvimento em modernização de infra-estruras (estradas, saneamento, telecomunicações, saúde, educação, ciência e tecnologia, etc.) que Portugal desenvolveu, apresentando hoje um perfil de país moderno, a economia portuguesa não tem crescido a um ritmo que alimente os custos dessa modernização, em grande parte porque o setor empresarial mais importante como motor de uma economia sustentada - as PMEs - não foram, durante muito tempo, estratégicamente apoiadas, quando se sabe que reside nas PMEs de qualquer economia moderna a mais dinâmica capacidade de criação de riqueza e de emprego. Ao invés, foi-se favorecendo os grandes grupos empresariais nacionais e multinacionais, sobretudo o setor financeiro, que beneficia de proteções e isenções fiscais absolutamente escandalosas, não tendo a produção de bens transacionáveis, que são mais criadores de riqueza e de potencial exportador, sido apoiada, a não ser nos casos de grandes empresas, corporações ou oligopólios. 

 

Por outro lado, no plano político-económico, o desvario de sangramento dos recursos financeiros dirigidos para um despesismo acima das próprias receitas, para empanturrar as clientelas partidárias e favorecer a multiplicação rápida de novas fortunas ilegítimas dos "afilhados" dos partidos (muitos ex-políticos, deputados, ministros, autarcas, altos funcionários partidários, etc.) que se vão banqueteando nos absurdamente numerosos "Conselhos de Administração", com altíssimos e obscenos salários e prémios, além de mordomias inadmissíveis, mesmo quando essas empresas públicas apresentam prejuízos crónicos.

 

Esta miopia imoral, vem alimentando uma imensa classe de parasitas gananciosos, em muitos casos sem serem possuidores de qualificações profissionais e, esta ciranda  das alternâncias da desgovernação, que três partidos vão partilhando, levou à criação de numerosas e desnecessárias empresas públicas, Fundações, Institutos, nacionais, regionais e autárquicos, cujas funções ou são puras inutilidades, ou são meras duplicações  de serviços que tradicionalmente, antes, sempre couberam serem exercidos pelos serviços públicos dos ministérios onde abundam técnicos competentes e experientes. 

 

A política e o próprio estado foram apropriados pelos altos interesses financeiros nacionais e, principalmente, multinacionais, que vão garantindo regalias e boas posições aos políticos, e estes, passaram a servir mais os interesses privados do que os interesses públicos. O exercício da política como nobre serviço a favor da Pólis, foi canibalizado pelos arrivistas da política, para dar lugar aos interesses pessoais e partidários, em que a conquista do poder é o fim que justifica todos os meios para se alcançar os maiores benefícios egoistas.


É neste quadro de dissolução de valores e princípios e de ruina dos ideais que a Revolução de 25 de Abril de 1974 prometia, que cresce a multidão dos humilhados e ofendidos que, após 37 anos, se vêm confrontados com o desemprego e o empobrecimento num Portugal que continua por cumprir. 


Este meu poema é, pois, mais um dos meus muitos gritos de revolta, talvez ainda mais sentidos, por eu pertencer a uma geração que tudo sacrificou e arriscou (a liberdade e a vida) para que Abril se cumprisse e, por via dessa revolução romântica, se cumprisse, enfim, Um Novo Portugal, mais justo, mais desenvolvido para todos os portugueses e não apenas para a nova classe de "políticos" de rapina, que desprezam Portugal e os portugueses e envergonham aqueles outros competentes, honestos e nobres políticos que ainda resistem e que, por serem raros, são facilmente "deglutidos" e marginalizados pelas alcateias insaciáveis dos lobos do poder.   

 Fernando Pessoa, Acrílico de José Manuel Rosa

Fernando Pessoa - Por Almada Negreiros

PESSOAS SEM ABRIL

Já a minha débil pessoa declinando vai
Mas com Pessoa hei-de permanecer
Até ao último sopro, meu derradeiro Ai
Respirarei Pessoa até me desvanecer

Ele me eleva como pessoa, é meu alimento
Dele, como e bebo palavras, essência do SER
Com ele aprendi a sublimar o sofrimento
Que a mediocridade arrogante pode fazer

De meus devaneios, sonhos e vãs esperanças
Do meu acreditar nos homens e sua redenção
Ficaram das decepções amargas lembranças
Por que faliu o humanismo e o triunfo da razão

E se mais Pessoas houvera nele em Pessoa
Para falar de coisas belas e de justos ideais
Mesmo agora que seu génio e estro mais ecoa
Há mais pessoas a se nutrirem de pecados venais

A minha pessoa não se corrompe de indiferença
Enquanto me alimento de Pessoa e bebo da poesia
de Torga, de Natália, de Sofia, e sinto a presença
De Camões, de Régio e de Almada, terei a energia

Se minha pessoa declina, se desvanece e sofre à toa
Porque se esgota a minha esperança, mas não o ideal
De vir a ser verdade a Pátria de Camões e de Pessoa
E de finalmente ser cumprido esse desejado Portugal

Oh meus 38 anos de ditadura mas de viva esperança
Pesam-me agora 36 de medíocre e injusta democracia
Que o adágio que diz que quem espera sempre alcança
Morre na garganta do povo pobre que não viu o Novo Dia

"Oh, sub-alimentados do espírito" clamava Natália, infeliz
"A poesia é para se comer", regada a bom vinho cultural
"Pergunto ao Vento que passa, notícias do meu país",
Canta Alegre. Não se cumpriu Abril nem ainda Portugal

Mas onde está essa pátria amada feita de Fraternidade
Onde a liberdade e a democracia seja mais que formal
Onde o pão da boca e do espírito alimente com equidade
E não empanturre de indigestão os vampiros de Portugal

Oh sedentos de poder, sem SER, gananciosos de capital
Ouçam os poetas e a maioria silenciosa que sofre carências
Oh gananciosos corruptos que desvirtuaram o Abril Ideal
Bebam mais de Pessoa e de outros. Políticos de indecências!

Oh pessoazinhas arrogantes, da baixa política trapaceira
Oh pessoas pequeninas, medíocres, egoístas, sem ideal
Oh profissionais dos partidos de estar na vida matreira
Oh estadistas que só promovem o vosso poder pessoal

Ocupem-se a cumprir Portugal como reclamava Pessoa
Portugal não é pobrezinho, vocês é que são pequenotes
Dos Grandes é que reza a história e, de vocês, de alma vazia,
ficará o clamor do povo, a voz da pátria magoada que ecoa!
Portugal seria bem rico se governassem sem tantos desnortes

Acreditem, senhores, nos poetas patriotas e nas lições de poesia
Pois vossos erros, desgovernos, ganâncias e egoísmos fortes
Serão as pequenezas e vilezas que lembraremos sem nostalgia.
O 25 d`Abril fez-se não para vós mas para o povo de más sortes  
A quem ainda não chegaram os cravos de Abril, a flor da alegria



Carlos Morais dos Santos
Cônsul da Soc. Internac. Poetas Del Mundo

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por Carlos Morais dos Santos - TER VIDA E NÃO IDADE












TER VIDA E NÃO IDADE


Julgo que esta "filosofia" de vida - “Ter vida e não idade” -  é tão importante para os jovens que começam a dar pela passagem do tempo, como para aqueles "jovens há mais tempo", que procuram viver cada pedaço do tempo real - que é a vida de cada momento do presente – com o espírito de que a vida, em cada novo dia, é sempre nova, e deve ser vivida como um novo amor, uma nova esperança, um novo contentamento, um novo encantamento, uma possibilidade de aprendizagem, de partilha, de renovação !

Por isso, embora nem sempre o consigam, qualquer que seja o sofrimento que os atinja, acompanha-os a esperança de renovação para fazerem de cada novo dia, de cada momento presente, uma nova vivência de amor à vida. E só ama a vida quem é capaz de amar o outro como a si próprio… e, assim, de renovar o próprio amor !


Para mim, é tão belo, esplendoroso e colorido o nascer do sol, como é o pôr-do-sol.
É por isso que uma fotografia de um ou de outro momento se assemelham!

































Eu quero continuar a abraçar a vida como um “Arco-Íris” abraça o horizonte em todas as luminosas cores!

Mas tal como o Arco-Íris se oferece a todos que o queiram contemplar e com esses partilha o seu esplendor, sempre vivo, sempre novo, eu quero alargar o meu horizonte e sentir mais a beleza das cores de um Arco-Íris de vivências partilhadas se unindo, misturando !


Há tanta vida no contentamento, como há no sofrimento, mas, para algumas pessoas, há tanta negação de viver amando, num caso como no outro. Para algumas dessas pessoas que julgam ter algum contentamento, esse aparente “bem-estar” e o amor que julgam sentir, é só egocêntrico, é só deles para eles, não partilham, nada dão, só se comprazem em receber.


Eu teria um “contentamento descontente” e um sofrimento mais sofrido se, apenas, contasse a minha idade, contasse o tempo, e não a vida, porque a vida não existe no singular - viver é partilhar. Nesse caso, lamentaria tanto não ter mais os contentamentos (egocêntricos, egoístas) do passado, quanto os sofrimentos de um presente. Casos há de quem vive descontente no presente, tanto pelos contentamentos, como pelos sofrimentos. São os “descontentes de contentes” e os sofridos para além do sofrimento.


Por isso, para esses, não há vida, há só tempo, lamento, desgastando o tempo - passado, presente e até futuro. Essas pessoas sim, só vão tendo idade, mas não vida!  

Eu não tenho idade, vou tendo vida ! 

Texto e fotos de
Carlos Morais dos Santos
 Escritor, ensaísta, poeta, fotógrafo
Cônsul da Assoc.Intern. Poetas Del Mundo