ROSA LOBATO FARIA
Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria escritora, poetisa, actriz portuguesa.
Filha de um oficial da Marinha, Rosa Lobato de Faria cresceu entre Lisboa e Alpalhão no Alentejo. Era viúva de Joaquim Figueiredo Magalhães, editor literário, falecido em 26 de Novembro de 2008.
A escritora e actriz portuguesa Rosa Lobato de Faria morreu , em Lisboa, no passado dia 2 de Feevereiro, aos 77 anos.
Rosa
Lobato de Faria foi poeta e ficcionista, tendo publicado em 2008 o
último romance, "As Esquinas do Tempo". O primeiro romance - "O Pranto
de Lúcifer" - foi publicado em 1995.
A
escritora nasceu em Lisboa em Abril de 1932.Começou a publicar tarde,
aos 63 anos, quando saiu o romance "O pranto de Lúcifer", em 1995, mas
a escrita esteve presente na sua vida desde a infância, com a escrita
dos primeiros poemas.
O essencial da sua poesia está reunido no volume "Poemas Escolhidos e Dispersos", editado em 1997.
Recorde-se que a escritora sofreu um duro golpe emocional em Novembro de 2008 com a morte do marido, o editor Joaquim Figueiredo Magalhães, de 92 anos, com quem estava casada há 33 anos.
A actriz deixa 12 netos, nove raparigas e três rapazes, e quatro filhos, Teresa Sacchetti, de 57 anos, João Sacchetti, de 54, e Bi Rebelo de Sousa, de 53, fruto do casamento com António Sacchetti, e Nuno Franco, de 45, fruto da relação com Carlos Franco.
Biografia
Enveredou pela representação ao participar, na televisão, em séries: 1987... Cobardias, A Mala de Cartão; 1992 - Crónica do Tempo; 1992 - Os Melhores Anos, sitcoms; 1987 - Humor de Perdição; 1990 - Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça; 2002 - A Minha Sogra é uma Bruxa; 2006 - Aqui Não Há Quem Viva. E novelas: 1982 - Vila Faia,; 1983 - Origens ; 2004 - Só gosto de ti; 2005 - Ninguém como tu.
Assinou o argumento de Humor de Perdição (1987), Passerelle (1988) , Pisca-Pisca (1989), Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça ( 1990), Telhados de Vidro (1994 e Tudo ao molho e Fé em Deus (1995)
Como romamncista, publicou os livros O Pranto de Lúcifer (1995), Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camila (1997), Romance de Cordélia ( 1998), O Prenúncio das Águas (1999), galardoado com o Prémio Máxima de Literatura em 2000. A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004) e A Flor do Sal (2005), A alma trocada (2007), além de várias obras para crianças, traduzidas noutros países
Em co-autoria participou em Os Novos Mistérios da Estrada de Sintra e Código d' Avintes. Para além disto publicou contos infantis (A Erva Milagrosa, As quatro Portas do Céu e Histórias de Muitas Cores).
Na poesia foi autora de A Gaveta de Baixo, longo poema inédito, acompanhado de aguarelas de Oliveira Tavares, estando o resto da sua obra reúnida no volume Poemas Escolhidos e Dispersos (1997).
Para o teatro escreveu as peças A Hora do Gato, Sete Anos – Esquemas de um Casamento e A Severa. Foi ainda a letrista que, a par com o poeta José Carlos Ari dos Santos, permanece como a mais bem sucedida no Festival RTP da Canção, tendo obtido quatro vezes o primeiro lugar com Amor de Água Fresca (1992), Chamar a Música (1994), Baunilha e Chocolate (1995) e Antes do Adeus (1997).
Experimentou o cinema, sob a direcção de João Botelho, em Tráfico (1998) e A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América (2003), além dos filmes de Lauro António, Paisagem Sem Barcos (1983) e O Vestido Cor de Fogo (1986) e de Monique Rutler, Jogo de Mão (1984).
Rosa Lobato de Faria, senhora de uma personalidade bastante forte, impunha-se pelo seu porte distintíssimo e pelo espírito perfeccionista que punha em todos os seus trabalhos, era uma das escritoras e actrizes que será sempre lembrada pelos seus papéis em novelas e por ter escrito letras de músicas para vários cantores.
Rosa
Lobato de Faria foi uma verdadeira força da natureza em talento
multifacetado. E era bela e grande em tudo o que fazia. Segundo seus
amigos mais próximos, era possuidora de uma enorme capacidade de
trabalho e de uma inspiração imediata e muito profícua. Só num período
de 3 anos, entre escrever livros e poemas, escreveu 1.500 canções,
a maioria a pedido dos seus amigos cantores e músicos.
Esteve várias décadas ligada à televisão,
desde que se estreou na RTP - a televisão pública portuguesa - como
locutora nos anos 1960, e posteriormente como atriz integrando várias telenovelas
e séries televisivas, que se mencionaram acima..
2 POEMAS DE ROSA LOBATO FARIA
E DE NOVO A ARMADILHA DOS ABRAÇOS
E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.
QUEM ME QUISER…
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) M.I.Poetas Del Mundo













