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Boas Vindas a esta comunidade de Culturas e Afetos Lusofonos que já abraça 76 países

MÚSICA DE FUNDO E AUDIÇÃO DE VÍDEOS E AUDIOS PUBLICADOS

NÓS TEMOS TODO O EMPENHO EM MANTER SEMPRE MÚSICA DE FUNDO MUITO SELECIONADA, SUAVE, AGRADÁVEL, MELODIOSA, QUE OUVIDA DIRETAMENTE DO SEU COMPUTADOR QUANDO ABRE UMA POSTAGEM OU OUVIDA ATRAVÉS DE ALTI-FALANTES OU AUSCULTADORES, LHE PROPORCIONA UMA EXPERIÊNCIA MUITO AGRADÁVEL E RELAXANTE QUANDO FAZ A LEITURA DAS NOSSAS PUBLICAÇÕES.

TODAVIA, SEMPRE QUE NAS NOSSAS POSTAGENS ESTIVEREM INCLUÍDOS AUDIOS E VÍDEOS FALADOS E/OU MUSICADOS, RECOMENDAMOS QUE DESLIGUE A MÚSICA AMBIENTE CLICANDO EM CIMA DO BOTÃO DE PARAGEM DA JANELA "MÚSICA - ESPÍRITO DA ARTE", QUE SE ENCONTRA DO LADO DIREITO, LOGO POR BAIXO DA PRIMEIRA CAIXA COM O MAPA DOS PAISES DOS NOSSOS LEITORES AO REDOR DO MUNDO.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

HOMENAGEM A ROSA LOBATO FARIA, ACTRIZ, ESCRITORA, POETA, FALECIDA A 2 DE FEREIRO DE 2010, EM LISBOA

 HOMENAGEM A 
ROSA LOBATO FARIA 


Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria escritora, poetisa, actriz portuguesa.

Filha de um oficial da Marinha, Rosa Lobato de Faria cresceu entre Lisboa e Alpalhão no Alentejo.  Era viúva de Joaquim Figueiredo Magalhães, editor literário, falecido em 26 de Novembro de 2008. 

A escritora e actriz portuguesa Rosa Lobato de Faria morreu , em Lisboa,  no passado dia 2 de Feevereiro, aos 77 anos.

Rosa Lobato de Faria foi poeta e ficcionista, tendo publicado em 2008 o último romance, "As Esquinas do Tempo". O primeiro romance - "O Pranto de Lúcifer" - foi publicado em 1995.

A escritora nasceu em Lisboa em Abril de 1932.Começou a publicar tarde, aos 63 anos, quando saiu o romance "O pranto de Lúcifer", em 1995, mas a escrita esteve presente na sua vida desde a infância, com a escrita dos primeiros poemas.

O essencial da sua poesia está reunido no volume "Poemas Escolhidos e Dispersos", editado em 1997.

Recorde-se que a escritora sofreu um duro golpe emocional em Novembro de 2008 com a morte do marido, o editor Joaquim Figueiredo Magalhães, de 92 anos, com quem estava casada há 33 anos.
A actriz deixa 12 netos, nove raparigas e três rapazes, e quatro filhos, Teresa Sacchetti, de 57 anos, João Sacchetti, de 54, e Bi Rebelo de Sousa, de 53, fruto do casamento com António Sacchetti, e Nuno Franco, de 45, fruto da relação com Carlos Franco.
 
Biografia

Enveredou pela representação ao participar, na televisão, em séries:  1987...   Cobardias, A Mala de Cartão; 1992 - Crónica do Tempo; 1992 - Os Melhores Anos, sitcoms; 1987 -  Humor de Perdição; 1990 - Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça; 2002 - A Minha Sogra é uma Bruxa; 2006 -  Aqui Não Há Quem Viva. E  novelas: 1982 - Vila Faia,; 1983 - Origens ; 2004 - Só gosto de ti; 2005 - Ninguém como tu.

Assinou o argumento de Humor de Perdição (1987), Passerelle (1988) , Pisca-Pisca (1989),  Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça ( 1990),  Telhados de Vidro (1994 e Tudo ao molho e Fé em Deus (1995)

Como romamncista, publicou os livros O Pranto de Lúcifer (1995), Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camila (1997), Romance de Cordélia ( 1998), O Prenúncio das Águas (1999), galardoado com o Prémio Máxima de Literatura em 2000. A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004) e A Flor do Sal (2005), A alma trocada (2007), além de várias obras para crianças, traduzidas noutros países

Em co-autoria participou em Os Novos Mistérios da Estrada de Sintra e Código d' Avintes. Para além disto publicou contos infantis (A Erva Milagrosa, As quatro Portas do Céu e Histórias de Muitas Cores).

Na poesia foi autora de A Gaveta de Baixo, longo poema inédito, acompanhado de aguarelas de Oliveira Tavares, estando o resto da sua obra reúnida no volume Poemas Escolhidos e Dispersos (1997).

Para o teatro escreveu as peças A Hora do Gato, Sete Anos – Esquemas de um Casamento e A Severa. Foi ainda a letrista que, a par com o poeta José Carlos Ari dos Santos, permanece como a mais bem sucedida no Festival RTP  da Canção, tendo obtido quatro vezes o primeiro lugar com Amor de Água Fresca (1992), Chamar a Música (1994),  Baunilha e Chocolate (1995) e Antes do Adeus (1997).

Experimentou o cinema, sob a direcção de João Botelho, em Tráfico (1998)  e A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América (2003), além dos filmes de Lauro António,  Paisagem Sem Barcos (1983) e O Vestido Cor de Fogo (1986) e de Monique Rutler, Jogo de Mão (1984).


Rosa Lobato de Faria, senhora de uma personalidade bastante forte, impunha-se pelo seu porte distintíssimo e pelo espírito perfeccionista que punha em todos os seus trabalhos, era uma das escritoras e actrizes que será sempre lembrada pelos seus papéis em novelas e por ter escrito letras de músicas para vários cantores.


Rosa Lobato de Faria foi uma verdadeira  força da natureza em talento multifacetado. E era bela e grande em tudo o que fazia. Segundo seus  amigos mais próximos, era possuidora de uma enorme capacidade de trabalho e de uma inspiração imediata e muito profícua. Só num período de 3 anos, entre escrever livros e poemas, escreveu 1.500 canções, a maioria a pedido dos seus amigos cantores e músicos.

Esteve várias décadas ligada à televisão, desde que se estreou na RTP - a televisão pública portuguesa - como locutora nos anos 1960, e posteriormente como atriz integrando várias telenovelas e séries televisivas, que se mencionaram acima..

 
2 POEMAS DE ROSA LOBATO FARIA 



E  DE NOVO A ARMADILHA DOS ABRAÇOS

E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
 
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.


QUEM ME QUISER…


Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.


Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.


Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.


Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.


Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.



Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) M.I.Poetas Del Mundo


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Embaixador brasileiro Lauro Moreira junto da CPLP, em Lisboa, é Consagrado e Homenageado como "Personalidade Lusófona do Ano 2010"




CONSAGRAÇÃO E HOMENAGEM AO MÉRITO DO  EMBAIXADOR LAURO MOREIRA

Já aqui, neste nosso Blogue-Revista Cultural da Lusofonia, tivémos a iniciativa de tecer, por  3 vezes, em diferentes publicações (2 com a data de 27/11/09 e outra a 12/12/09), merecidos elogios ao notabilíssimo Embaixador Lauro Moreira. 

Mas foi na nossa publicação de 27/11/09, intitulada:
"Embaixador Lauro Moreira do Brasil junto à CPLP e a sua emocionante viagem através da música do Brasil", em que mais objetiva e substancialmente, prestámos, em texto e imagens, uma justa homenagem ao mérito e ao trabaho ímpar do Embaixador brasileiro da Missão do Brasil junto da CPLP, em Lisboa, como grande cultor e construtor de uma histórica missão a favor da Lusofonia em geral e das culturas lusófonas, em particular das culturas brasileira e portuguesa, a par com a construção de um edifício de inter-relações lusófonas que marcarão para sempre  a excelente diplomacia brasileira junto da CPLP.

Com efeito, o nosso Blogue no seu labor a favor das culturas lusófonas e por ser ainda jovem de pouco mais de 3 meses, veio ainda muito a tempo de, antes de o Embaixador Lauro Moreira terminar a sua missão em Lisboa, ter assinalado profusamente por 3 vezes no espaço de menos de um mês (entre 27/11/09 e 12/12/09), o brilhante trabalho do inesquecível Embaixador.

Não podemos deixar de exultarmos agora por vermos confirmadísssimas as nossas homenagens ao distinto Embaixador Lauro Moreira - que, alías, ao longo da sua missão foi sempre alvo de grandes demonstrações de muito apreço pela sua pessoa e pelo seu trabalho - constatando que, muito justamente e na hora da "partida" (certamento com muitos regressos), são prestadas ao Embaixador duas  muito honrosas e distintas consagrações, uma pela MIL-Movimento Internacional de Lusofonia, consagrando-o "Personalidade Lusófona do Ano", numa cerimónia  cheia de brilhantismo na Academia de Ciências de Lisboa, e outra Homenagem  de iniciativa da C.E. da CPLP no Teatro do Centro Cultural da Malaposta, lugar em que outras ações do Embaixador deixaram a marca do seu prestígio e méritos culturais. 

Destaco que a Cerimónia na Academia das Ciências de Lisboa teve na mesa de honra a presença do prestigiado Professor Catedrático  e notável figura pública, Adriano Moreira, e a seu lado, a figura histórica  do  Ex-Presidente da República portuguesa e escritor Doutor Mário Soares , além de  um salão nobre repleto de muitas ilustres figuras das áreas diplomática, cultural e pública, de Portugal e de vários países lusófonos.

É pois, com múltiplos motivos de grande admiração, mas ao mesmo tempo, com um sentimento de saudade e pena de não podermos continuar a beneficiar tão constantemente das benfeitorias e dos inesquecíveis convívios com o Embaixador Lauro Moreira que nos associamos a estas homenagens, esperando poder voltar a nos encontrarmos com este Grande Paladino da Lusofonia, em Lisboa, no Brasil ou algures num canto deste nosso mundo lusófono. Aproveitamos para desejar ao Embaixador Lauro Moreira longa vida, muita saúde, felicidades e  os votos de  que possamos continuar a beneficiar da sua Luz e dos seus talentos. 
Até sempre Embaixador!
CMS         
Consagração pelo M.I.L.
Movimento Internacional Lusófono e
Academia das Ciências de Lisboa
 
O MIL – Movimento Internacional Lusófono e a Academia das Ciências de Lisboa galardoaram o Embaixador Lauro Moreira com o “Prémio Personalidade Lusófona do Ano” (2009), no dia 8 de Fevereiro, em Lisboa. O Professor Doutor Adriano Moreira presidiu esta sessão de justo reconhecimento do importante papel do Chefe da Missão do Brasil junto à CPLP na construção e consolidação da Comunidade.


HOMENAGEM AO EMBAIXADOR LAURO MOREIRA

 Teatro do Centro Cultural Malaposta – Odivelas
O Secretariado Executivo da CPLP realizou uma homenagem ao Embaixador Lauro Moreira, Chefe da Missão Permanente do Brasil junto à CPLP desde a sua abertura, em 2006, uma vez que vai deixar o posto este mês de Fevereiro. Pelos trabalhos desenvolvidos no esforço colectivo de construção da Comunidade, pelo seu envolvimento, devoção e entrega à causa da Cultura e à aproximação dos povos dos oito países de Língua Portuguesa, este momento não poderia deixar de ser assinalado. 
Programa da Homenagem 
Dia 10 de Fevereiro entre as 20h30 e as 23h30 horas
 
Sessão Cultural de Homenagem ao Embaixador Lauro Moreira

20,45     -              Chegada dos convidados
21,00     -              Chegada do Homenageado
21,03     -              Porto de Honra
21,15     -              Início da Cerimónia                   

Apresentação de Gabriel Baguet Jr.

Música:
Actuação do “Raspa de Tacho”
Actuação de Joana Melo

Intervenções:
Embaixador Russo Dias – Coordenador do CCP
Eng.º Domingos S. Pereira – Secretario Executivo

Recital de duas poesias
Leitura de nota de homenagem (biografia)
Intervenção da Presidente da Câmara de Odivelas, Dra. Susana  Amador
 Intervenção do Homenageado
Música:
Actuação de Eneida Marta

23,00     - Fim da Cerimónia


Texto introdutório de
Carlos Morais dos Santos
Escritor ensaísta, poeta, fotógrafo
Cônsul (Lisboa) M.I.Poetas Del Mundo

Editor/Administrador do Blogue
culturas.lusofonia@gmail.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

TERESA RITA LOPES - TRIBUTO DE HOMENAGEM

CICLO DE TRIBUTO AOS POETAS LUSÓFONOS

TRIBUTO DE HOMENAGEM A 

TERESA RITA LOPES

É para mim um gratíssimo prazer e uma emoção, trazer hoje à Galeria do nosso Ciclo de Tributo de homenagem aos poetas Lusófonos, o nome e a obra  de  Teresa Rita Lopes. Por várias razões: Em primeiro lugar, por se tratar de uma das mais brilhantes académicas dedicadas à literatura portuguesa; em segundo lugar, por ser a maior especialista portuguesa de Fernando Pessoa; em terceiro lugar, por ser uma autora notável com vasta obra literária nos campos da poesia, do ensaio, do teatro, obra consagrada em Portugal e em outros países onde se têm feito traduções de suas produções e, ainda e também, pelos justos e merecidos prémios que já lhe foram atribuídos.
Mas há também a emoção que tenho em prestar esta singela mas justa e sincera homenagem, através deste nosso Blogue-Revista Cultural, por se tratar de uma pessoa a que nos ligam antigos laços de amizade.

Por isso, podemos também afirmar que a "Cultura e os Afetos" são "Nós e Laços" que nos unem, numa amizade que nos faz recordar os bons momentos passados em Portugal, no Brasil, em sua casa de Almada, em nossa casa de Algés, ou em São Paulo e no Rio de Janeiro, ou os bons momentos que eu e Selma vivemos em Paris, por ocasião do "Bicentenaire" da Revolução Francesa, intalados, a seu convite, em sua casa de Paris - Ville Juif.

De Teresa Rita Lopes se pode afirmar que os Deuses foram muito generosos com a sua pessoa. A juntar à sua vivacidade e brilhante inteligência e grande cultura, temos os há muito reconhecidos talentos em vários campos já citados, onde a sua obra é extensa, rica e de grande mérito. E como se isso, que já é muito, não bastasse, os Deuses ainda a dotaram de uma personalidade marcante, que não deixa ninguém indiferente, com um carisma intrínseco que não faz concessões, grande sentido de humor, senhora de uma beleza e sedução natural, que até nos olhos lindos e na voz de timbres musicais raros, se manifesta. Dir-se-ia  que os Deuses lhe deram tudo isso para evidenciar a coerência entre a sua beleza interior e exterior.


Biografia
Nasceu em Faro. Viveu 13 anos em Paris onde foi professora na Sorbonne e defendeu a tese de doutoramento "Fernando Pessoa et le drame symboliste – héritage et création". É professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa. 

Teresa Rita Lopes é um dos maiores especialistas contemporâneos em Fernando Pessoa, dedicando-se também a outros autores como Miguel Torga, tendo centrado o seu trabalho académico na obra deste poeta e dedicando-se especialmente à divulgação da parte inédita da sua obra. 
Dirige um grupo de investigadores que produziu várias obras, nomeadamente um guia de Lisboa, escrito por Pessoa, com traduções em várias línguas (espanhol, francês, italiano e duas em alemão).
Das obras produzidas individualmente em português destaca-se Pessoa por conhecer (2 volumes, mais de 400 inéditos) e uma edição crítica: Álvaro de Campos – Livro de Versos (mais de 80 poemas inéditos).

Organizou várias exposições sobre Fernando Pessoa, em Espanha (inauguração em Madrid, itinerante por toda a Espanha), no Brasil (inaugurada em S. Paulo, depois itinerante) e em França (Paris, Centre Pompidou – Beaubourg). 

Tem-se dedicado à obra de Miguel Torga, sobre a qual tem vários ensaios. Tem além disso colaborado regularmente em várias publicações literárias portuguesas e estrangeiras, quer no domínio do ensaio, quer da poesia.

Dedica-se à poesia, tendo três livros publicados e, regularmente, a teatro. 
Tem peças publicadas e representadas em Portugal e no estrangeiro: França, Bélgica, Itália, Roménia, Alemanha. A sua peça Se Mentes (Wenn du lügst – Samen) foi escolhida para representar Portugal no Festival de Autores de Teatro na Bonner Biennale 94 – e posteriormente representada em Munique e em Roma.

















Obra
Ensaio
Fernando Pessoa et le drame symboliste - héritage et création. Paris: C.C. Português da Fundação Gulbenkian, 1977; 2ª ed. 1985.
Pessoa por Conhecer I. Lisboa: Estampa, 1991.
Miguel Torga - Ofícios a "Um Deus de Terra". Porto: Asa, 1993.
Edição de textos de Pessoa
Álvaro de Campos, Vida e obras do Engenheiro. Lisboa: Estampa, 1990; 2ª ed. 1992.
Pessoa por Conhecer II. Lisboa: Estampa, 1990
A Hora do Diabo. Lisboa: Rolim, 1988.
O Privilégio dos Caminhos. Lisboa: Rolim, 1988.
Pessoa Inédito. (Org.) Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
Álvaro de Campos: Livro de Versos. (edição crítica). Lisboa: Estampa, 1ª e 2ª ed.,1993; 3ª ed.
Os Melhores Poemas de Fernando Pessoa (prefácio e selecção). S. Paulo: Global, 1986; 7ª ed. 1995.
Álvaro de Campos: Notas para a recordação do meu mestre Caeiro. Lisboa: Estampa, 1997.
Poesia
Os Dedos, os Dias, as Palavras. Porto: Figueirinhas, 1987.
Por Assim Dizer. Lisboa: De Viva Voz, 1994.
Cicatriz. Lisboa: Presença, 1996.
Teatro
"Três Fósforos" in Teatro 62. Lisboa: Guimarães Editores, 1962.
Sopinhas de Mel. Lisboa: Moraes Editores, 1980.
Teatro I . Lisboa: De Viva Voz, 1994.

Traduções
Francês
Fernando Pessoa: le théâtre de l'être. Paris: La Différence, 1985; 2ª ed. 1990.
L'Heure du Diable. Paris: José Corti, 1990.
Le Privilège des Chemins. Paris: José Corti, 1991.
Notes en souvenirs de mon maître Caeiro. Paris: Fischerbacher, 1997. 
Italiano
L'Ora del Diavolo. Roma: Biblioteca del Vascello, 1992.

Citações sobre a obra
Ensaio

Una radioscopia minuziosissima e straordinaria di tutti i Pessoa (anche dei flatus vocis, anche degli embrioni, anche degli ignoti), il migliore atlante cosmografico della galassia Pessoa, qualcosa che sembra il resoconto di una Comédie Humaine fantascientifica, è l'opera di Teresa Rita Lopes, F.P. et le Drame Symboliste. Héritage et création.

Antonio Tabucchi
Quaderni Portoghesi, nº 2, 1978
El nombre de la profesora, poeta y ensayista Teresa Rita Lopes es una referencia obligada en cualquier bibliografía mínima sobre Fernando Pessoa: su obra Fernando Pessoa et le drame symboliste: héritage et création es hoy un trabajo clásico de la investigación pessoana.

Perfecto E. Cuadrado
El Pais, 8/3/91
Le théâtre de l'être propose une 'mise en scène' bilingue des poèmes de sept heteronymes.

Patrick Théveneau
L'Express, 2/5/85
"Ce que je suis essentiellement (…) c'est un dramaturge" disait encore Pessoa. Teresa Rita Lopes lui donne raison, qui, en assemblant dans son admirable Théâtre de l'être l'essentiel de l'ouvre du poète, effectue une confrontation entre Pessoa et ses hétéronymes, qui vaut la plus subtile des éxègeses.

Hector Bianciotti
Le Nouvel Observateur, 11/6/85
Teresa Rita Lopes donne de son génie une representation de textes confrontés et "mis en situation": il prouve que toute une lumière n'est pas faite sans Pessoa et qu'un hétéronyme peut en cacher un'autre, plus petit.

Alain Bosquet
Magazine Littéraire, Juillet/Aôut, 1985
Ce beau et gros ouvrage indique un des itinéraires possibles et le lecteur français s'y perdra avec surprise et bonheur.

Pierre Rivas
La Quinzaine Littéraire, 31/5/85
E cabe-nos felicitar a autora de Fernando Pessoa et le Drame Symboliste pela fundura da análise, riqueza dos seus pontos de vista e
a singularidade da sua visão do problema.

João Gaspar Simões
Diário de Notícias, 6/7/78

Poesia

O poema está completo, porque ele é, acima de tudo, a tentativa de reduzir o absurdo ao espaço das sensações. Teresa Rita Lopes é uma boa candidata à celebridade, posto que foi envergando uma folha branca para dar bom dia ao dia. E já está pronta para resplandecer, como é seu tempo agora.

Agustina Bessa-Luís
Primeiro de Janeiro, 11/11/87
Há na poesia de Teresa Rita [publicada em 1987 sob o título Os Dedos, Os Dias as Palavras] uma constante réplica ao quotidiano e essa réplica é uma afirmação de liberdade contra todos os entraves que impedem a adesão ontológica do ser a si mesmo.

António Ramos Rosa
in A Parede Azul
Tudo muda em Os Dedos os Dias as Palavras Tudo muda porque tudo nasce, renasce, renova. Ou tudo se inventa e reinventa, descobre-se ou se redescobre. Trata-se de um nascimento fundador (…) O que dá origem, alimento e abrigo. Um útero. E uma mãe.

Maria Lúcia Lepecki
Diário de Notícias, 5/6/88
Ao escrever sobre Cicatriz, parto de uma reacção emocionada, a de quem se sente atingido por uma meditação constituída por uma espécie de viagem (…) São versos que podemos recitar: dizem o que não sabemos dizer, tocam-nos com a evidência do que há a dizer.

Silvina Rodrigues Lopes
Público, 25/5/96
É o que Teresa Rita Lopes faz neste seu livro. Convoca o tempo original. Fá-lo através dos sons, dos cheiros, dos sítios e das imagens da infância. Mas também através dos ditos e das conversas. O poema procura a fala primordial. Pronuncia as palavras mágicas do paraíso perdido.

Manuel Alegre
(na apresentação de Cicatriz, Março 1995)

Teatro

"Se Mentes" (was mi "Wenn du lügst", aber auch mit "Samen übersetzt werden kann) heit die überrragende Aufführung des "Teatro o Bando aus Lissabon, in der ein junges Mädchen mit ihrem älteren alter ego über Liebe, Sexualität, Ideale und Sensüchte ring und streitet und eifersüchtelt.
"Die Personen dieses Stückes sind auf die Dynamik ihrer Sensüchte reduziert", schreibt die Fernendo-Pessoa-Spezialistin Teresa Rita Lopes über ihren so poetischen wie surrealen Text.

Matthias Pees
Süddeutsche Zeitung, 21/6/94
Teresa Rita Lopes hat mit "Se Mentes" (Wenn du Lügst) ein poetisches Traumspiel verfat, dessen Sprache an Lorca erinnert und zuweilen die Grenze des Schwülstigen streift.

Eva Pfister
Neue Zeit, 29/6/94
Teresa Rita apareceu, fulgurantemente, nos finais da década de 50 e princípios da de 60. Era o tempo da efémera tentativa do Teatro de Novos para Novos (…) Para todos, as frustrações e os desgastes provocados pela Censura. Teresa Rita terá sido nessa época (…) particularmente cilindrada pela circunstância… donde ser agora muito gratificante o verificar-se que, apesar de tudo, não ficou destruída para o Teatro (…)

Fernando Midões
Diário Popular, 26/01/83
  
Prémios

Prémio de Poesia da Câmara Municipal de Lisboa, 1987 (Os Dedos, os Dias, as Palavras)
Grande Prémio de Ensaio Unicer/Letras & Letras, 1993 (Miguel Torga - Ofícios a "Um Deus da Terra")
Prémio de Ensaio Pen Club, 1990 (Pessoa por Conhecer) 
Prémio Eça de Queirós de Poesia, 1997 (Cicatriz)

 POEMA DE TEREZA RITA LOPES


POEMA DE NATAL

No Natal lembramo-nos das pessoas de quem regularmente
nos esquecemos durante todo o ano
                                                          e enviamos cartões
de Boas Festas
                         agora sob a forma de rápidos e-mail’s
(alguns até tocam música)
                                          e de sucintos SMS
em abreviaturas.
                           O Pai Natal chega com bastante antecedência
para montar o negócio com tempo.
                                                        Espalhadas por todo o lado
ei-las as suas veneradas figurações como alpinista
                                                                                a escalar
os prédios agarrado a uma corda.
                                                     Ou será como bombeiro?
Ou talvez como assaltante!
                                            Estaria mais de acordo com a crise
e com a paisagem urbana.
                                          Confesso a minha saloia saudade
dos presépios da infância em que recriava o mundo
                                                                                  apesar
dos gritantes anacronismos: até punha comboios e carrinhos
de brincar a correr para o Menino Jesus!
                                                                 Mas que prazer
e que poder inventar montanhas com pedaços de cortiça 
lagos com espelhos
                                e povoar esse pequeno mundo com casinhas
e moinhos e ovelhas e pastores e patos e até lavadeiras!
Se eu não tivesse armado e amado em menina os meus presépios
seria hoje outra pessoa
                                 na minha relação com a casa e com o mundo.                                                   
Pena que já não seja o Menino Jesus a dar as prendas natalícias
por que já não espero!
                                   Os meus sapatos cresceram demais
para os pôr na chaminé
                                     que aliás já não tenho (um exaustor
metálico faz as vezes de).
                                         Dantes aí púnhamos o sapatinho
na Noite de Natal com o coração a pular
                                                                 mas tínhamos
que esperar pelos presentes a noite inteira porque só na manhã
seguinte os podíamos ir buscar.
                                                   Era sobretudo a espera que
os tornava preciosos.
                                  Agora é tudo dito e feito
                                                                           não há tempo
para esperar:
                       o Pai Natal avia toda a gente
                                                                      pequenos e grandes
na Noite de Natal
                             (alguns desconfiam que as suas prendas vieram
do Chinês da esquina e arrependem-se das que deram).
                                                                                   Mas a verdade
verdadinha é que continuamos todos a gostar do Natal
                                                                                       talvez
porque no fundo do ser ainda esperamos por essa prenda que não
sabemos quem nos prometeu
                                               e ainda nos não deu. 

FAZER DA DOR SUBTERRÂNEA

Fazer da dor
subterrânea
uma flor
desperta

fazer do choro
represo
uma ave
liberta
Ah! poder
lançar
no ar
este negro
fogo
preso

In A Fímbria da Fala 
Editora Ausência, 2002



TERESA RITA LOPES - VÍDEOS
Imagina que descalcei o sapato e agora não o consigo enfiar
De Teresa Rita Lopes


COVERSA COM TERESA RITA LOPES E BATISTA BASTOS


De Teresa Rita Lopes

COVERSA COM TERESA RITA LOPES E BATISTA BASTOS


Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) do M.I.Poetas Del Mundo

2 POEMAS DE CARLOS MORAIS DOS SANTOS: "O GAÚDIO DE GAUDI" - "QUEM ME DERA"



 
O GÁUDIO DE GAUDÍ
 
 
Os olhos se enchem
De mares ondulados
Em onírica festa
Dos fabulosos ornamentos !
Não há conflito ou aresta
Nos braços entrelaçados,
Nos desencontros de movimentos,
Nas curvas em contra – tempos,
Que são poemas não rimados !

Os sentidos despertam
De júbilo provocado
Com a livre criação:
É gótico ressuscitado ?
É barroco suavizado ?

É a modernidade em libertação !

As emoções transbordam
Com a criação genial !
Mística de sonhos ardentes,
Das mil formas confluentes,
Na inacabável Catedral !

Oh sublime Gaudí tão diverso
Grande Arquitecto do Universo

É Divina tua Obra Original !
 
******* 
 
Nota: 
Antoni Placid Gaudí i Cornet (Reus ou Riudoms, 25 de Junho de 1852 - Barcelona, 10 de Junho de 1926) foi um arquitecto  Catalão, um dos símbolos da cidade de Barcelona, onde se educou e passou grande parte da vida. Aparece como um arquitecto de novas concepções plásticas ligado ao  Modernismos Catalão (a variante local da Art Nouveau).
 
**********
 
 
 
 
 QUEM ME DERA
 
Quem me dera viver ligeiramente
Sem me dar conta das misérias deste mundo
Viver assim brejeiro e docemente
Um dia atrás do outro e sem vislumbro
Quem me dera viver um século de vida
Sempre capaz de amar e ser amado
Sem ter lembranças de qualquer antiga ferida
Conservar meu corpo e espírito renovado
Quem me dera conservar no meu olhar
O céu azul em noites estreladas
O sol nascente, o poente e o mar
Os rostos das crianças encantadas
 
Quem me dera ser como o girassol–flor
Sempre virado para a luz natural
Rejeitar toda a vivência incolor
Nunca tomar o todo pelo parcial


Quem me dera ao morrer ser lembrado
Pelos afectos que eu sempre quis expressar
Pelas ideias, pelos combates, e pelo pecado
De não ter sido mais generoso no amar

Quem me dera ser pó, finalmente
Lançado ao mar com algumas brancas flores
Ficar “vivo” e apenas bem presente
Por um sorriso de bem - querer, sem deixar dores 
 

 

Carlos Morais dos Santos
In Sossego Intranquilo, Ed.Hugin, 2003
Cônsul “Poetas Del Mundo” - Lisboa